Sua empresa faliu? Saiba o que fazer

Errar a mão e ter de se reinventar é algo bastante comum no mundo dos negócios
Por Edilaine Felix  
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SÃO PAULO - Em termos estatísticos, a falência está mais para regra do que para exceção no mundo empresarial brasileiro. Um estudo do Sebrae mostra que 70% das empresas vão à falência em até três anos após sua criação. Quando isso acontece, há dois caminhos a seguir: desistir ou dar a volta por cima.

Para Artur Hipólito, ir à bancarrota foi o início de uma grande virada. O mercado de franquias, ainda incipiente em 1995, foi sua escolha para iniciar no mundo dos negócios. Após trabalhar 15 anos no Banco do Brasil, decidiu, com um grupo de amigos, abrir uma franquia do Subway, rede norte americana de alimentação que acabava de chegar ao Brasil.

“Acreditamos na proposta do máster franqueado e nos tornamos agentes de desenvolvimento. Chegamos a ter quatro unidades e investimos, no projeto-piloto, mais de US$ 2 milhões”. Com uma loja montada fora do padrão norte-americano, gerando prejuízo na fase de implantação e dificuldades de manutenção, a franquia faliu.

Quebrei, e agora?
Assim, Hipólito voltou para o mercado convencional de trabalho, como gerente comercial do Grupo Multi. Esteve lá por nove anos, se tornou CEO, e se orgulha de dizer que ajudou a formar um dos maiores grupos de franquia do Brasil.

No entanto, o sonho de empreender ainda estava vivo. Foi então que, em 2007 abriu a Tutores, sua primeira franquia. No ano seguinte, veio o Grupo Zaiom, pioneiro em microfranquias, que hoje tem mais de 500 unidades pelo Brasil e fatura em torno de R$ 50 milhões ao ano.

O sucesso veio mais por fruto da experiência do que da sorte. Ele conta que, após ter sido surpreendido com ações pouco profissionais do franqueado em seu primeiro negócio e com o aprendizado adquirido no Grupo Multi, finalmente se sentiu pronto para ter o próprio negócio. “Para dar a volta por cima, é preciso entender que a vida é a correção constante de nossos erros”, afirma Hipólito.

O negócio vai mal? Diversifique
Errar a mão e ter de se reinventar é algo bastante comum no mundo dos negócios. A família Yassin, no ramo têxtil há mais de 50 anos, viu a indústria familiar perder mercado na crise de 2008. “Com margens cada vez menores decidimos abrir as portas para o varejo”, diz Ahmad Yassin, que no mesmo ano fundou a VestCasa.

Do ramo de cama, mesa, banho e decoração, a VestCasa foi pensada para vender produtos a preço de custo. Para crescer em escala, seus controladores decidiram entrar no ramo de franquias. Hoje a rede conta com 86 lojas e deve encerrar o ano com 120 unidades. A meta é atingir 400 lojas até 2015, todas com foco nas classes C e D. O fato de não depender de intermediários, já que a fábrica abastece 80% das lojas, aumenta a competitividade da rede no mercado.

Dicas para um franqueador não ir à falência*

 - Adotar um modelo financeiro que leve em consideração o número de clientes atendidos, custo dos produtos, margem de lucro e taxas de royalties;

- Escolher um franqueado que respeite o modelo da franquia;

- Capacitar e dar suporte ao franqueado;

- Adequar estrutura e logística e ter conhecimento das regras legais do país;

- Adaptar-se à sazonalidade;

-Ter controle da gestão, evitando a inadimplência de franqueados, que pode quebrar um franqueador.

 * Adir Ribeiro é presidente da Praxis Business.

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