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Carro em modo autônomo da Tesla bate e motorista morre

Condutor teve 5 segundos e 150 metros de visão para evitar o choque com a barreira, mas nenhuma ação foi detectada, segundo a empresa

Tesla_Model X
(Divulgação/Tesla)

SÃO PAULO - Um veículo da Tesla modelo SUV Model X sofreu um acidente que resultou na morte do motorista em 23 de março na Califórnia, Estados Unidos. O carro é descrito como semiautônomo pela companhia, uma vez que - embora tenham o recurso de direção autônoma - a recomendação é de que os motoristas fiquem atentos ao trajeto para corrigir eventuais falhas. 

"Estamos trabalhando o mais rápido possível para estabelecer os fatos do acidente [...] A segurança de nossos clientes é nossa principal prioridade, e é por isso que estamos trabalhando em estreita colaboração com os peritos para entender o que aconteceu e o que podemos fazer para evitar que isso aconteça no futuro", informa a Tesla, em nota.

Segundo dados recuperados do veículo, momentos antes da colisão com uma barreira de concreto - ocorrida às 9h27 -, o piloto automático estava acionado e o motorista teria recebido diversos alertas visuais e um aviso sonoro, mas as mãos do motorista estariam fora do volante. Ele teria 5 segundos e 150 metros de visão para evitar o choque com a barreira, mas nenhuma ação foi detectada, segundo a empresa.

A Tesla informou em comunicado que proprietários de veículos com a mesma tecnologia - o Autopilot - passaram pelo mesmo trecho da rodovia onde aconteceu o acidente cerca de 85 mil vezes desde seu lançamento, em 2015. Apenas neste ano, carros Tesla Autopilot passaram pelo local 20 mil vezes, todas sem acidentes.

"Uma análise independente concluída pelo governo dos Estados Unidos há mais de um ano descobriu que o piloto automático reduz as taxas de colisão em 40%. Desde então, o sistema de piloto automático evoluiu ainda mais. Isso não significa que ele previna todos os acidentes - tal condição seria impossível - simplesmente os torna menos propensos a ocorrer", pondera a empresa. 

Investigação difícil
Os computadores do veículo guardavam um rico conjunto de informações sobre os instantes que antecederam o acidente fatal. No entanto, o acesso a essas informações não é fácil. Os dados armazenados no Tesla estão em formato próprio que só pode ser acessado pela empresa, segundo informações da Bloomberg.

Do mesmo modo, as informações que os veículos transmitem regularmente aos computadores da Tesla não podem ser obtidas sem a cooperação da empresa. “Isso torna a investigação ainda mais desafiadora”, disse Peter Goelz, ex-diretor administrativo do Conselho Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês), atualmente vice-presidente sênior da O’Neill & Associates, uma firma de lobby e relações públicas de Washington.

A agência afirma que a Tesla tem colaborado, mas a decisão da empresa de divulgar informações sobre a investigação sem a permissão do NTSB e a crítica do presidente do conselho e CEO da empresa, Elon Musk, ao conselho de segurança, feita na tarde de segunda-feira (2) pelo Twitter, aumentaram as tensões.

Musk defendeu a decisão de sua empresa de divulgar informações. “Muito respeito pelo NTSB”, disse, no Twitter, acrescentando: “a Tesla divulga imediatamente dados fundamentais sobre colisões que afetam a segurança pública, e sempre agirá assim. Seria inseguro fazer o contrário.”

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