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37 marcas de moda no Brasil se envolveram com trabalho escravo nos últimos 8 anos, diz app

Moda Livre avalia grifes e varejistas brasileiros em três categorias  

roupa moda

SÃO PAULO – Nos últimos 8 anos, 37 marcas de moda atuantes no Brasil foram flagradas em envolvimento com trabalho escravo, segundo levantamento do aplicativo Moda Livre, da Repórter Brasil. 

De acordo com a ONG, cinco imigrantes bolivianos foram encontrados por fiscais federais em uma oficina que produzia roupas para a A.Brand, dona de grifes como Farm e Animale, trabalhando mais de 12 horas por dia e recebendo R$ 5 por roupas que são vendidas por valores até 120 vezes maiores.

Além das informações obtidas através de fiscalizações oficiais, o aplicativo solicita às empresas que ofereçam dados a respeito de sua produção para classifica-las em três níveis: melhor avaliação, avaliação intermediária e pior avaliação. Marcas que não fornecem informações solicitadas são classificadas no último nível por falta de transparência - sem necessariamente apresentar indícios de irregularidades.

Para fazer a lista, a ONG utiliza quatro indicadores: Políticas (compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento); Monitoramento (medidas adotadas pelas empresas para fiscalizar seus fornecedores de roupa); Transparência (ações tomadas pelas empresas para comunicar a seus clientes o que vêm fazendo para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo); e Histórico (resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo dados das autoridades competentes).

Na atualização mais recente do aplicativo, que existe desde 2013, aparecem informações sobre empresas nunca fiscalizadas pelo governo, como Topper, Rainha, Timberland, Reserva, Hope e Mash. Dentre essas marcas, Reserva e Mash responderam o questionário da ONG a tempo e apresentaram os requisitos necessários para aparecer na melhor avaliação.

Contatada, a BR Sports, detentora da Topper, que aparece com a classificação menos confiável, disse que possui "seriedade e respeito ao consumidor e as leis trabalhistas vigentes e repudia qualquer atividade que não respeite as condições estabelecidas pela constituição brasileira". A empresa garante ainda que seus "parceiros são todos credenciados de acordo com a política de qualidade da empresa".

Já a Timberland escreveu: que "monitora e acompanha a sua rede de fornecedores para garantir o respeito às leis trabalhistas e a integridade dos funcionários dessas empresas.  A marca segue o código de conduta global da VF Corporation, conglomerado da qual faz parte, e que pode ser consultado no arquivo anexado. Esse documento estabelece padrões éticos para os fornecedores da Timberland, o que inclui diversas regras relativas a salários, horas, contratação, mão-de obra, saúde e segurança, ambiente e imigração. Entre essas regras, há a determinação de que todas as Unidades Autorizadas da VF deverão remunerar seus funcionários de maneira justa, oferencendo salários, benefícios e horas extras compatíveis com as leis de cada país, assim como devem oferecer ambientes de trabalho limpos, seguros e saudáveis, projetados para prevenir acidentes e danos à saúde. Nenhum tipo de discriminação é tolerada, muito menos assédio físico ou moral. Penas monetárias aos trabalhadores também são proibidas". 

O InfoMoney tentou contato com as demais marcas citadas e aguarda posicionamento. 

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