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Startup vasculha até Facebook e Instagram para provar que devedores têm dinheiro

A Localize presta serviços a clientes, investigando a vida pessoal de devedores para encontrar evidências de que eles têm dinheiro para pagar os débitos

Localize
(Divulgação)

SÃO PAULO – Lucas Gouvêa, Aldo Moscardini, Flávio Goeldner e Rafael Nogueira formam o quarteto de sócios da Localize, uma empresa especializada em recuperação de ativos. O país tem hoje mais de 5,1 milhões de empresas inadimplentes, segundo dados do Serasa Experian divulgados nesta segunda-feira (17).

Essas empresas juntas têm dívidas que somam R$ 119,2 bilhões. Mas em meio à crise que aprofundou os dados negativos de algumas empresas, a Localize aproveita o momento e vai na contramão: esse ano deve faturar R$ 6,5 milhões, 30% a mais do faturamento de R$ 5 milhões em 2016.

A empresa, que nasceu em 2007, conta com uma equipe formada por jornalistas, advogados e profissionais de TI. A startup presta serviços a clientes, investigando atá mesmo vida pessoal de empresários devedores para encontrar evidências de que eles têm bens como pessoa física para pagar as dívidas de sua pessoa jurídica. A ideia é recuperar ativos derivados de atividades ilícitas.

Na prática, a equipe vasculha fotos das famílias em redes sociais, como Facebook e Instagram, além de procurar telefones e endereços cadastrados de empresas dos investigados e busca documentos em cartório. 

“Toda a nossa pesquisa é baseada em registros públicos, nada fora da lei”, garante Gouvêa, um dos fundadores e engenheiro civil de formação. “Como temos larga experiência no universo dos cartórios, pois crescemos nesse meio, sabemos onde e o que procurar”. Para alcançar os resultados, a equipe usa inteligência artificial e Big Data, que permite cruzar dados e informações com mais assertividade.

A empresa consegue remontar a história de tudo o que foi registrado, da abertura e registro de firmas, a escrituras e contratos, passando pelo rastreamento de dinheiro dentro e fora do país, identificação de fraudes, laranjas e empresas de fachada. 

Segundo a empresa, as investigações levam em média 60 dias para serem concluídas, com preços que variam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil entre os mais variados tipos de dívidas. Dessas, consegue uma média de cobertura de 53% em ativos livres. Um percentual considerável, uma vez que o Índice Nacional das Carteiras de Recuperação de Crédito é, em média, de 22%.

Devido ao custo das investigações, o trabalho é recomendado para dívidas acima de R$ 3 milhões. Por isso, a carteira da empresa é composta por mais de uma centena de clientes, que no geral são bancos, gestoras e grandes empresas.

O apoio de uma boa curadoria facilita o trabalho da equipe que cruza os dados captados nas redes sociais com os aferidos nos cartórios e elabora um relatório minucioso dos bens, com comprovação de origem, e orientações para que o cliente entre na justiça ou tente um acordo.

No ano passado, de R$ 6 bilhões em dívidas recebidas, a Localize encontrou R$ 7,2 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões eram de fácil recuperação. 

Gouvêa afirma que as grandes dívidas do país passam pela Localize e que com a crise o mercado busca estratégias inovadoras e eficientes para a recuperação do crédito. Quando o contrato entra em inadimplência, os bancos recorrem aos serviços da empresa.

Entre 2015 e 2016, no auge da Operação Lava Jato, a startup cresceu 300% em faturamento, segundo o empresário. Boa parte desse crescimento foi decorrente da investigação dos responsáveis pelas empresas envolvidas no escândalo, que tinham vultuosas quantias de dinheiro emprestadas pelos bancos. A expectativa para 2017 é crescer mais 30%.

O próximo passo, segundo os sócios, será atuar de forma mais incisiva no mercado de compra e venda de dívidas, com a criação de uma gestora de recuperação de grandes dívidas, além do lançamento de uma plataforma investigativa que permitirá trabalhar com um volume muito maior de informações, com milhares de casos por mês. “Hoje no Brasil somos únicos e trabalhamos com o objetivo de escalar nossos serviços”, afirma Gouvêa.

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