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Como um estudo de R$ 230 mil virou uma multa de R$ 18 bilhões para a Volkswagen

O pesquisador Francisco Posada e engenheiros da Universidade de West Virginia, dois anos e meio atrás, percorreram a costa oeste dos EUA com um Passat, um Volkswagen Jetta e um BMW X5 para descobrir como ocorriam as emissões de poluentes

SÃO PAULO – A revelação das fraudes da Volkswagen nos testes de emissão de gases pode custar até US$ 18 bilhões em multas para a montadora e já culminou no afastamento do então CEO, Martin Winterkorn, da empresa. No total, são cerca 11 milhões de veículos em todo o mundo que utilizaram o software responsável pela fraude.

Mas não foi de uma maneira simples que as fraudes foram descobertas: o pesquisador Francisco Posada e outros engenheiros da Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos, dois anos e meio atrás, percorreram a costa oeste dos EUA com um Passat, um Volkswagen Jetta e um BMW X5 para descobrir como ocorriam as emissões de poluentes.

Como contou o El País, os engenheiros e Francisco percorreram mais de 4 mil quilômetros utilizando o PEMS no porta malas, um aparelho que consegue registrar as emissões de poluentes do veículo enquanto o mesmo está em movimento. Durante a viagem, que durou quase quarenta horas, precisaram reabastecer o Passat seis vezes, todas em postos Shell.

A organização da qual Francisco fazia parte, a ICCT (International Council on Clean Transportation) investiu cerca de US$ 70 mil (cerca de R$ 235 mil) para identificar se os veículos a diesel cumpriam os critérios de emissão de gases estabelecidos nos EUA. Antes, em 2011, um órgão europeu já havia publicado um relatório que indicava que os níveis de emissão dos carros em situações reais excediam os dados registrados em testes feitos em laboratório.

Nos Estados Unidos, apenas 4% dos veículos usam diesel e só conseguiu encontrar um veículo após publicar uma mensagem em seu perfil informando que estava em busca de um veículo que usasse o combustível e publicar uma mensagem em um jornal de Los Angeles – e então conseguiu o Passat.

Com os três carros prontos para realizar o estudo, o órgão estatal da Califórnia que mede a qualidade do ar, o CARB, se encarregou de fazer as provas de laboratório, enquanto o ICCT e a universidade ficaram com os testes em situações reais de uso. E o resultado foi o mesmo indicado pelo relatório da Europa.

Em 2013, quando a coleta de informações terminou, a fase de análise teve início – e um ano depois o resultado foi entregue à EPA, órgão de proteção ambiental dos EUA. As emissões no Jetta ultrapassavam o limite permitido em 35 vezes, enquanto no Passat chegaram a 20.

Desde então, a EPA ficou responsável pela investigação e confirmou os dados. No dia 18 de setembro, a EPA divulgou a informação para todo o mundo, informando que havia utilizado “supostamente, um software para manipular as provas de emissões em laboratório”. Nos Estados Unidos, eram 482 mil veículos com o dispositivo instalado, desde 2008.

 

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(Fabian Bimmer/Reuters)

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