Em negocios / grandes-empresas

"Maior companhia do mundo quer me escravizar por 3 meses e se eu falar 'não'..."

Anton Newcombe, vocalista da banda Brian Jonestown Massacre, publicou uma série de tweets criticando a companhia

SÃO PAULO - A decisão da Apple de fazer com que o Apple Music fosse gratuito por três meses está deixando os músicos loucos. Por conta disso, alguns já estão se manifestando contrariamente ao serviço de streaming planejado pela companhia. 

Um deles é Anton Newcombe, vocalista da banda Brian Jonestown Massacre, que publicou uma série de tweets criticando a companhia - inclusive chamando-a de "corporação satânica". "A Apple me ofereceu um novo acordo: eles dizem que querem usar meu trabalho de graça por três meses. Perguntei 'e se eu falar não'? e eles responderam que tirariam minhas músicas do iTunes", afirmou o músico. 

A banda californiana - longe de ser um dos destaques do mundo da música -, depende da venda de músicas e de shows para conseguir sobreviver. Para ele, é simples de explicar. "A maior companhia do mundo quer me escravizar por 3 meses e se eu falar 'não'...", disse Newcombe, deixando. 

Para ele, a situação é degradante no momento em que ele diz o quão desproporcional é a situação financeira entre a banda e a empresa. O músico lembra que o caixa da Apple é maior do que as reservas cambiais de diversos países, como Argentina, Colômbia, Reino Unido e Estados Unidos - e que se eles querem dar o serviço de graça, que usem seu próprio dinheiro

Ele compara a situação dele com a dos fabricantes chineses dos aparelhos iPhone - que, sabe-se, trabalham em condições muito abaixo das ideais. "Ao menos eles pagam US$ 1 para os chineses montarem os iPhones", salienta. 

O ataque do músico rendeu boa publicidade, mas pode causar problemas para Newcombe também. A empresa entrou em contato com a revista Rolling Stone para esclarecer que não tem usado coerção para convencer os músicos a aderirem ao Apple Music - algo que o vocalista nega. "Eu não tenho medo da Apple", diz. 

Newcombe, porém, admite que poderá mudar de ideia sobre a Apple se as condições futuras mudarem em relação ao dinheiro que a empresa fizer com o novo serviço de streaming. "Se a Apple realmente pagar 73% da receita que eles fizerem, eu estarei impressionado", afirmou. 

Tim Cook, CEO da Apple
(Jason Reed/Reuters)

Contato