Brucutu e Kid Tocaia: como lidar com os tipos mais difíceis no trabalho?

Se você pensou em começar a procurar uma nova oportunidade no mercado, saiba que esta não é a melhor solução para fugir deles
Por Gladys Ferraz Magalhães  
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SÃO PAULO – É comum conhecermos as mais diferentes pessoas no ambiente de trabalho. Afinal, apesar de trabalharem na mesma empresa, as pessoas têm valores e posturas diversas. Até aí, tudo bem. O problema começa quando somos obrigados a conviver com os tipos mais insuportáveis do mundo corporativo. Nestas horas, surge a pergunta: o que fazer?

Se você pensou em começar a procurar uma nova oportunidade desesperadamente, saiba que esta não é a melhor solução para fugir deles. Ao menos para a consultora em comunicação e palestrante, Bruna Gasgon, que alerta: “mudar de empresa não é a melhor solução, pois as personagens são as mesmas, só muda o elenco”.

A gerente de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Melina Graf, concorda e acrescenta: “dentro de uma empresa, ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém. Contudo, é essencial aprender a conviver com a diversidade das pessoas”.

Tipos
De acordo com Bruna, dentre os tipos difíceis, os mais recorrentes são: o brucutu, o kid tocaia, o sabe tudo, o enigma, o frente fria e o disk problemas. A seguir veja como reconhecê-los e como lidar com eles:

  • Brucutu:  bruto, atrevido e feroz. Costuma gritar e xingar e não pedir desculpas, pois nem sempre sabe que está magoando.

Como lidar? Em primeiro lugar, não vire um brucutu também. Exija respeito serenamente. Espere que ele se acalme para se colocar com calma.

  •  Kid Tocaia: irônico, falso, venenoso e frustrado. Por sentir raiva, inveja ou ciúmes de alguém, fala mal pelas costas, minando o relacionamento de sua vítima com todos no ambiente de trabalho. Quando a pessoa está presente, ele faz comentários maldosos, dá uma série de alfinetadas cruéis e,  quando a pessoa vai reagir, diz que é brincadeira.

Como lidar? Não demonstre que não gosta de ironias ou que ficou perturbado com o veneno. Se ele perceber que não pode atingi-lo, a “brincadeira” acaba.

  •  Sabe tudo: este tipo é o famoso metido, convencido. Tem de tudo, estudou, viajou, leu, fez e aconteceu. Detesta ser contrariado ou corrigido. Gosta de falar, mas não gosta de ouvir, além de ser arrogante e viver contando vantagem.

Como lidar? Segundo Bruna, geralmente, as pessoas que têm esse tipo de atitude, por alguma razão, são inseguras e por isso precisam que todos saibam o que ela tem, fez, por onde viajou, etc... Assim, o melhor a fazer é não se perturbar, pois quem tem problemas é ela.

  • Enigma: quando se sente magoado, ou ofendido, não fala. Fecha-se e amarra a maior “tromba” de propósito. Acha que o silêncio é uma forma de agressão, uma ofensa velada e, por mais que perguntem, vai dizer que está tudo bem, mas continuará com a cara amarrada.

Como lidar? Finja que não está vendo a “tromba”, e aja naturalmente. Não faça perguntas do tipo “o que aconteceu?” “Por que você está com essa cara?” “Eu fiz alguma coisa que te chateou?” Depois de um ou dois dias, a pessoa vai desistir e vai verbalizar o que a está incomodando.

  • Frente-fria: pessimista e baixo astral. Acha que tudo vai acabar em acidente, em tragédia. Muitas vezes tem mania de doença. Só vê o lado ruim das coisas.

Como lidar? Não tente discordar dele, pois é isso que ele quer, para poder atacar com argumentos mais poderosos ainda. Isso vai alimentá-lo. Faça o oposto, concorde com ele. Assim, você encerra a conversa.

  • Disk-problema: é primo do frente-fria. Reclama de tudo. Nunca está satisfeito com nada. Põe defeito em coisas e pessoas o tempo todo, por melhores que elas sejam. É o tipo chato que ninguém aguenta por perto.

Como lidar? Seja paciente e bom ouvinte. Não concorde nem discorde, apenas escute o que ele tem a dizer e tente não se estressar. Se você só ficar escutando, ele vai desistir de você.

Outros tipos
Além dos perfis listados acima, há ainda outros menos comuns, mas tão complicados como os anteriores. Dentre eles, Bruna cita o desligado (a) e a pseudo boazinha.

No primeiro caso, explica ela, o melhor a fazer é conversar com a pessoa e alertá-la que o seu comportamento pode afetar o desempenho da equipe. Já no segundo, é preciso ter paciência, pois caso alguém exploda com este tipo, pode virar o vilão da história, alerta.

Já Melina, da Ricardo Xavier, completa a lista com outros tipos bem problemáticos, como o fofoqueiro e o puxa-saco, que, segundo ela, devem ser observados com bastante atenção e, de maneira educada, evitados.

Por fim, lembram as consultoras, é necessário que as pessoas tenham humildade e aprendam a ouvir os outros e assim identificarem se não são elas os tipos insuportáveis da empresa. Afinal, diz Bruna: "ninguém é maravilhoso todos os dias".

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