Mesada: ela realmente funciona?

Receber mesada é visto como algo saudável na sua educação financeira

Por Finanças Práticas
 25 mar, 2014 09h31
Poupança - economia das crianças
(ShutterStock)

SÃO PAULO - Os psicólogos parecem concordar que, quanto antes uma criança tiver contato com dinheiro, melhor será a sua relação com ele no futuro. Por isso, receber mesada é visto como algo saudável na sua educação financeira, já que assim é forçada a tomar decisões quanto ao uso do seu dinheiro. 

Trata-se de uma experiência positiva não apenas para os filhos, mas para toda a família. Do ponto de vista dos pais, além de entenderem melhor os hábitos de consumo e a capacidade de tomada de decisão das crianças, conseguem melhorar a sua própria relação com o dinheiro. Afinal, este é o principal objetivo da educação financeira!

Quando começar?
Em geral, recomenda-se que todas as crianças com mais de sete anos recebam algum tipo de "semanada" ou "mesada". Mas esse é um processo que deve ser conduzido de uma forma natural, já que cada criança tem seu ritmo e é preciso respeitá-lo, para não causar traumas. Afinal, ninguém conhece melhor o seu filho do que você, certo? 

Não associe o pagamento da mesada às atividades pelas quais seu filho é responsável em casa. Ele deve realizar tais tarefas porque isso faz parte das responsabilidades da família e cabe a ele contribuir. Justamente por isso, não deve se sentir "remunerado". 

Por outro lado, à medida que a criança cresce e se transforma em adolescente, aí sim você pode considerar a remuneração de algumas tarefas específicas pelas quais já contrata alguma pessoa para fazer. Neste caso, o pagamento pela tarefa simplesmente evidencia a relação entre dinheiro e trabalho. 

Oriente, sem decidir pelo seu filho
Lembre-se que estamos falando de educação financeira. Por isso, não basta entregar o dinheiro ao seu filho e ponto final. É preciso orientá-lo!

Para as crianças, convém que os pais ajudem nas contas, de forma que consigam ter uma idéia mais clara de quanto podem gastar por dia. Além disso, vale a pena introduzir o hábito de pesquisar preços, o que acaba ajudando na definição do conceito de caro e barato. Neste sentido, os sites de venda on-line podem facilitar a tarefa. 

Já no caso dos pré-adolescentes e jovens, ainda que seja sua obrigação orientar seu filho sobre o uso correto de dinheiro e ajudá-lo na avaliação das oportunidades existentes, você deve deixá-lo tomar a decisão final sobre o que fazer com o valor da mesada. 

Incentive o hábito de poupar
Estimule a criança a poupar parte da sua mesada. Para tanto, comece introduzindo a noção de objetivos de curto e longo prazo. Esta tarefa pode ser mais divertida se vocês trabalharem juntos: pegue duas folhas de papel e peça para o seu filho desenhar em cada uma delas o seu objetivo de curto prazo e o de longo prazo. Use estes desenhos para encapar duas latas de refrigerante. Com isso, tem dois cofres: para o curto e o longo prazo.

Ajude-o a calcular quanto será preciso poupar para alcançar os dois objetivos. Se você perceber que o seu filho tem dificuldade em poupar parte da mesada, incentive-o a, ao menos, evitar gastar tudo por alguns dias. 

Você também pode incentivá-lo colocando outro R$ 1,00 no cofrinho de longo prazo, para cada R$ 1,00 poupado. Alternativamente, você pode colocar este dinheiro em uma caderneta de poupança, contudo, entre os mais jovens, em geral ver o dinheiro crescendo no cofre tem um efeito mais significativo. 

Seja firme!
Se a criança gastar todo o dinheiro antes do final da semana (ou mês) e pedir para que você dê mais, seja firme e diga não! Lembre-se que você está ensinando o seu filho a planejar seus próprios gastos. Se você abrir uma exceção, acaba passando a mensagem errada para a criança: de que ela pode gastar, pois sempre haverá mais! 

Não importa qual seja o seu padrão de renda, esta não é uma mensagem positiva a se passar. Aprender a controlar gastos é bastante saudável! Quanto antes seu filho entender este conceito, menores serão suas dificuldades para lidar com dinheiro quando for adulto. 

A maioria dos especialistas em psicologia financeira já atribui boa parte das características financeiras de uma pessoa à sua educação familiar. Controlar os gastos e planejar a vida financeira é assunto para se aprender com os pais, em casa. Em geral, os filhos de casais com uma situação financeira saudável são mais responsáveis com suas economias e buscam a orientação de especialistas na hora de aplicá-las.


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