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Sem dinheiro em espécie, São Paulo e Brasília gerariam US$ 13 bilhões a mais por ano

Pesquisa encomendada pela Visa estimou benefícios de até US$ 470 bilhões em 100 cidades

Desperdício Dinheiro
(Andrey_Popov)

SÃO PAULO – Minimizar o uso de dinheiro em espécie poderia gerar benefícios financeiros de US$ 13 bilhões em um ano para as cidades de São Paulo e Brasília somadas. A estimativa é de um estudo realizado pela Roubini ThoughtLab a pedido da Visa, que levou em consideração o custo da circulação do papel moeda em 100 cidades ao redor do mundo, incluindo as duas brasileiras.

No total, as 100 cidades analisadas poderiam ter benefício líquido anual de até US$ 470 bilhões, de acordo com o estudo. Isso equivale a 3% do PIB médio dos municípios em questão, que incluem Lagos, Bangkok, Tóquio, Chicago e Estocolmo – as cidades que, junto com São Paulo, foram escolhidas para análise mais detalhada dentro do escopo estudado.

Entre os motivos para o incremento econômico, a pesquisa destaca 32 horas gastas por consumidor em transações em bancos, varejos e transporte público, além de criminalidade ligada ao papel moeda. Também é considerado um custo, para as varejistas, de 7 centavos por dólar em transações físicas, comparado a 5 centavos por dólar em transações digitais.

Além disso, a Roubini considera a probabilidade de aumento na receita do varejo resultante de crescimento da base de clientes nas lojas físicas e on-line, o aumento na arrecadação fiscal, maior crescimento econômico, as economias resultantes do ganho de eficiência administrativa e a redução nos custos com processos criminais devido à queda nos crimes relacionados ao porte de dinheiro em espécie.

Confira destaques do estudo especificamente no que diz respeito a São Paulo e Brasília:

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São Paulo

  • Segundo o relatório, se toda a população da capital paulista alcançasse o mesmo nível dos 10% com maior utilização dos pagamentos eletrônicos, os benefícios líquidos somados seriam maiores que US$ 11 bilhões. Dentro deste valor, consumidores (somados) se beneficiariam com mais de US$ 1 bilhão por ano, os estabelecimentos comerciais seriam beneficiados em US$ 7 bilhões e mais de US$ 3 bilhões seriam incremento para o governo local.
  • Além disso, no cenário estudado, em 15 anos, São Paulo registraria um aumento de 0,23% no PIB por ano e 106 mil novos postos de empregos formais.
  • As empresas gastam, em média, 2% de sua receita por mês com o recebimento de pagamentos não digitais. Essa percentagem aumenta para 3% em algumas cidades, como São Paulo. As empresas nas seis cidades analisadas perdem, em média, o equivalente a 4% de suas receitas devido a roubos, dinheiro falso e falta de fundos na caixa registradora. Apesar de serem menores em cidades de mercados desenvolvidos, como Chicago (1%) e Tóquio (2%), esses valores podem ser significativamente elevados em cidades de mercados emergentes, como São Paulo (9% cada).
  • Em São Paulo, as empresas de pequenos, médios e grandes portes tiveram ganhos substanciais quando passaram a aceitar pagamentos digitais, 51%, 30% e 27%, respectivamente.
  • Os consumidores de São Paulo registraram um pagamento médio anual de encargos por atraso de pagamento de US$ 15, respectivamente. Em Tóquio, cerca de 7% dos consumidores pagam taxas, enquanto em São Paulo esse número supera 45%. Se a utilização dos pagamentos digitais em São Paulo aumentasse, essa média cairia para 27% e a cidade poderia registrar uma redução anual superior a US$ 7 per capita em tais encargos.

Brasília

  • Já na Capital Federal, se toda a população alcançasse o mesmo nível de utilização dos pagamentos digitais que os 10% que mais utilizam possuem, os benefícios somados seriam maiores que US$ 2 bilhões. Deste total, US$ 1,4 bilhão iriam para os estabelecimentos comerciais, US$ 0,5 bilhão seriam destinados para o governo e US$ 0,2 bilhão para os consumidores da cidade.
  • O PIB em Brasília cresceria o equivalente a 0,27% por ano durante 15 anos, e seriam abertas mais de 20 mil vagas formais de emprego com as mudanças.

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