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Trabalhadores da indústria de alimentação se posicionam sobre Operação Carne Fraca

Diretoria da Federação se diz "preocupadíssima" com a divulgação

SÃO PAULO – A Federação dos Trabalhadores nas Idústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (FETIASP) lançou nesta segunda-feira um posicionamento a respeito das acusações da Operação Carne Fraca da Polícia Federal. A Diretoria da Federação se disse “preocupadíssima com a divulgação da operação”, que “ainda em fase de apuração por parte das autoridades”.

“Os trabalhadores do setor de frigoríficos fazem o seu melhor para garantir que produtos de qualidade cheguem à mesa das famílias brasileiras e de milhões de outras por todo o mundo. Não podemos nos esquecer que também somos consumidores”, disse a Federação, em comunicado. “A forma de exposição dos fatos leva toda uma importante cadeia produtiva (que vai além do trabalhador do frigorífico) a um desgaste desnecessário e, por isso, não pode haver pirotecnia quando a situação tem que ser apurada individualmente, dando a ela o devido tratamento”, continua a nota.

A operação

Deflagrada na última sexta-feira, a maior operação da Polícia Federal no país teve intuito de descobrir conexões entre grandes empresas do setor alimentício e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a partir  da  Superintendência  Federal  da  Agricultura  no Paraná (SFA/PR).

Além das irregularidades e “vantagens indevidas pagas por executivos  ou  diretores  de empresas”, a PF  também alegou ter descoberto problemas na fabricação e armazenamento de alimentos, que utilizariam métodos ilegais para aumentar o peso dos produtos e para “esconder coloração e mau cheiro”. Houve ainda uma menção ao armazenamento dos produtos usando papelão – sendo que a prática aprovada é a embalagem de plástico.

Como resposta, as empresas BRF, dona de marcas como Sadia e Perdigão, e JBS, cujas subsidiárias incluem Friboi e Seara, disseram que atuam conforme as regras sanitárias e que colaboram com as investigações.

No comunicado da primeira empresa, lê-se que “a BRF nunca comercializou carne podre e nem nunca foi acusada disso. As menções a produtos fora de especificação, no âmbito da operação Carne Fraca, dizem respeito a outras empresas, como pode ser comprovado no material divulgado pela Polícia Federal. A BRF lamenta que parte da imprensa tenha inserido o seu nome de maneira equivocada em reportagens que tratam desse assunto, confundindo os consumidores e a sociedade”.

Sobre a acusação de venda de produtos com Salmonella, a BRF destacou que “não incorreu em nenhuma irregularidade” e que “existem cerca de 2.600 tipos de Salmonella, bactéria comum em produtos alimentícios de origem animal ou vegetal. Todos os tipos são facilmente eliminados com o cozimento adequado dos alimentos”.

Já a JBS reforçou que atua “m absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas". A empresa disse ainda que “repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos”.

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