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Como a crise impulsiona empresas como Uber, Airbnb e Waze no Brasil

Dos entrevistados, 47% afirmou que passou a usar produtos e serviços da economia compartilhada em partes por conta da crise econômica do Brasil

SÃO PAULO – Embora o conceito de economia compartilhada ainda seja novo, ele já faz sucesso no mundo inteiro: Uber, Airbnb e Waze são algumas das empresas que servem de exemplo de como elas podem ser vantajosas para o usuário, tanto em termos de preço quanto de comodidade. Esse é um setor que vem apresentando crescimento constante e, segundo a Market Analysis, a expectativa de receita do setor para este ano é de US$ 15 bilhões; para 2025, esse valor aumenta para US$ 335 bilhões. 

No Brasil, ela não deixa de ser expressiva: um levantamento realizado pela empresa REDS, holding da HSR Specialist Researches, aponta que 52% dos brasileiros entrevistados estão familiarizados com a ideia de economia compartilhada e a maneira como ela atua. Dessas pessoas, entretanto, apenas 13% já utilizaram algum produto ou serviço que faça parte dela.

Dos entrevistados, 47% afirmou que passou a usar produtos e serviços da economia compartilhada em partes por conta da crise econômica do Brasil, já que eles tendem a ser mais baratos e ter melhor custo-benefício. Outros 39% afirmaram que a crise econômica afetou totalmente a opção por esse tipo de serviços.

Até mesmo as pessoas das classes A e B, com maior poder aquisitivo, afirmaram que a ascensão da economia compartilhada no país teve influência da crise. 

Apesar disso, mais da metade dos respondentes (52%) afirma que ela não é passageira, mas sim que “veio para ficar” e que cada vez mais pessoas estão aderindo aos serviços; eles estão “mudando a cultura dos brasileiros”.

Pontos negativos
Ao mesmo tempo em que 8 em cada 10 pessoas acredita que essa prática traz benefícios à população, aspectos negativos também foram mencionados: a falta de segurança e fiscalização, a pouca divulgação e aceitação, baixa acessibilidade, baixa remuneração para os profissionais, entre outros, foram alguns deles.

Karina Milaré, presidente da REDS, reconhece essas dificuldades que o setor enfrenta, mas afirma que ele possui grande potencial de crescimento – tanto pelo aumento de adesão quanto pela lealdade dos consumidores que já experimentaram os produtos. “Para o avanço pleno dessa vertente, será preciso lidar co pontos que, atualmente, possuem percepção ruim, como falta de segurança e regulamentação dos serviços, impacto negativo nos negócios das empresas e para profissionais”, explicou.

Metodologia
A pesquisa foi realizada em abril deste ano a partir de 1.025 entrevistas, realizadas com homens e mulheres de todas as regiões do país, entre os 18 e 65 anos e das classes A, B e C.

Essas pessoas fazem parte de um nicho muito específico, com a maior parte das respostas positivas dada pela classe A; ainda segundo o levantamento, ela está ligada à ideia de consumo consciente, sustentabilidade e até ao acesso à internet -- e por isso inda é tão restrita no país.

Airbnb
(d8nn / Shutterstock.com)

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