Montadoras alertam sobre o alto imposto de importação brasileiro, diz FT

Presidente da Kia reclama do Inovar-auto e diz que todo investimento da montadora no País foi jogado no lixo

 29 out, 2012 16h10
Fabiana Pimentel
montadoras - linha de montagem - carro
(Thinkstock)

SÃO PAULO - As montadoras Kia e Jaguar Land Rover estão alertando outras montadoras no mundo por conta das novas medidas protecionistas do Brasil, revela matéria publicada pelo jornal Financial Times.

Segundo a publicação, o novo regime automotivo pode fazer com que as vendas sejam reduzidas pela metade, o que deve forçar essas montadoras a repensarem os investimentos no quarto maior mercado automotivo mundial.

De acordo com o texto, depois de aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos importados, o País agora criou um novo decreto que manterá o imposto mais elevado por mais cinco anos.

O jornal ainda diz que o novo regime automotivo é uma forma que o Brasil encontrou para reavivar a indústria automotiva nacional, que sofria com as recentes ondas de importações mais baratas, como da China e da Coreia.

Investimento desnecessário
Segundo o presidente de operações brasileiras da Kia, José Luiz Gandini, a Kia espera vender 100 mil veículos neste ano, mas até agora foram vendidas 45 mil unidades, número que deve ser próximo ao que pode acontecer no ano que vem por causa dos tributos mais elevados.

De acordo com a publicação, depois de entrar no mercado brasileiro há 20 anos, a Kia passou a deter 32% das importações do País. Além disso, empregou oito mil pessoas neste período em seus showrooms. “Tudo que fizemos no Brasil foi jogado no lixo”, disse Gandini.

Regime
A publicação ainda explica que o Inova-Auto tem como objetivo trazer mais empresas ao Brasil e melhorar a qualidade dos carros no País. Porém, os importadores poderão vender 4,8 mil veículos anuais sob o regime fiscal anterior, mas o restante será tributado com a nova alíquota de IPI, elevada a 55%.

Segundo o texto, combinando o II (Imposto de Importação) que é de 35% com outras taxas onerosas existentes no Brasil, os carros agora serão tributados em até 340%.

Por outro lado, as empresas que trouxerem parte da produção para o Brasil, investirem em pesquisa e cumprirem metas ambientais poderão ter isenção do IPI.

De acordo com a matéria, o diretor da Jaguar Land Rover, Flávio Padovan afirma que a medida poderá trazer consequências graves para o Brasil, com o aumento dos preços dos veículos e desestimulando as melhorias em produção e inovação entre os fabricantes locais.

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