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O fator que pode tirar Joaquim Barbosa das eleições mesmo com 10% das intenções de voto

Candidatura de ex-presidente do STF ganha fôlego eleitoral, mas ainda precisa superar resistências internas no PSB

SÃO PAULO - A poucos dias do fim do prazo para filiação partidária a quem deseja disputar as eleições de outubro, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa aceitou o desafio inicial e, na primeira semana do mês, filiou-se ao PSB sem ter garantido seu nome como candidato ao Palácio do Planalto pelo partido. Passada a primeira e arriscada decisão, o ex-magistrado já teve motivos para comemorar. Ontem, talvez tenha sido ele a grande estrela da pesquisa divulgada pelo Datafolha e já causa dores de cabeça à direita e à esquerda.

Segundo o levantamento, Barbosa tem entre 8% e 10% das intenções de voto, a depender do cenário avaliado. Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora do pleito, ele ocupa a terceira posição, atrás apenas do deputado Jair Bolsonaro (PSL) e da ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade). O desempenho já provocou reações. De acordo com a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o ex-ministro do STF despertou nos rivais de que, em campanha, consiga se transformar na "expressão do centro".

De um lado, Barbosa pode cativar eleitores insatisfeitos com os nomes tradicionais, sobretudo com a imagem que carrega de combatente à corrupção, que carrega desde os tempos do julgamento do mensalão. Do outro, ele tem na sua biografia e possíveis acenos à agenda social ativos importantes para conquistar parte do eleitorado à esquerda. Com tantos órfãos de Lula, seu potencial pode crescer ainda mais. Soma-se a isso o sentimento majoritário de insatisfação com o sistema político e o crescente desejo por renovação. Porém, há uma série de desafios que ainda precisam ser enfrentados pelo ex-ministro.

"O principal problema da candidatura de Joaquim Barbosa tem dois nomes e sobrenomes: Paulo Câmara, governador de Pernambuco, e Márcio França, governador de São Paulo. Não parece ser racional que haja algum interesse destes dois em o PSB ter um candidato presidencial. Não só Paulo Câmara, como Ricardo Coutinho, da Paraíba, querem capitalizar a força do lulismo no Nordeste e já, inclusive, fechavam alianças com o PT por lá. E Márcio França é o candidato real de Geraldo Alckmin", observou o analista político Leopoldo Vieira, da consultoria Idealpolitik, no programa Conexão Brasília.

"Então, Joaquim Barbosa entra nisso com pinta de outsider, mas até que ponto essas forças políticas vão permitir que esta candidatura deslanche", complementou o especialista. A entrada do ex-ministro do STF como candidato à presidência está longe de ser unanimidade no PSB. Entre os deputados federais, há maior simpatia, ao passo que senadores e governadores oferecem maior resistência. Isso porque o lançamento de uma candidatura própria dificulta alianças regionais para eleições majoritárias.

Caso estas barreiras sejam superadas, a candidatura de Barbosa é vista como de grande potencial político. "Seja pelo perfil do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, seja pelo vazio absoluto de candidatos naturalmente competitivos, Barbosa apresenta candidatura bastante viável do ponto de vista político", observou a equipe de análise política da XP Investimentos.

As expectativas são de que o relator do "mensalão" faça sombra na candidatura de Marina Silva, com a diferença de contar com uma estrutura partidária melhor, e ainda roube votos de outros candidatos na centro-esquerda e na faixa do eleitorado que deseja votar em um outsider. Neste caso, até mesmo Bolsonaro pode acabar atingido. Há, inclusive, quem já comece a especular uma possível chapa Marina-Barbosa. Embora muito distante da realidade atual, a iniciativa teria grande potencial eleitoral.

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