Em mercados / politica

Ciro Gomes dá mais um motivo para o mercado querer "passar longe" dele nas eleições

Ontem, em evento na Casa do Saber, pré-candidato pelo PDT afirmou que "jamais assinaria" a Carta aos Brasileiros, justamente o documento que acalmou os investidores durante a eleição de 2002, vencida por Lula

Ciro Gomes
(Agência Brasil)

SÃO PAULO - Após as falas do seu conselheiro econômico deixarem o mercado com o pé atrás, desta vez foi a vez de Ciro Gomes dar declarações que acenderam os sinais de alerta entre os investidores. 

Pré-candidato a presidência pelo PDT e um dos candidatos do campo da esquerda mais bem posicionados nas pesquisas em cenários sem participação de Lula, Ciro afirmou na segunda-feira (12), durante evento na Casa do Saber (em São Paulo), que "jamais assinaria" a Carta aos Brasileiros, criticou a peça e disse que não se subordinará aos interesses do mercado. A Carta aos Brasileiros foi o documento que fez com que o mercado se acalmasse sobre a eleição presidencial do petista, em 2002. 

O pedetista disse que os interesses do mercado financeiro serão subordinados aos interesses da classe trabalhadora e do setor produtivo. Por outro lado afirmou que, caso vença a eleição, seu governo não dará "sustos" - mas isso pode ser difícil em meio às últimas declarações.

Quer investir em ações e pagar só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta na Clear.

Vale ressaltar que, em entrevistas a diferentes jornais, o conselheiro econômico de Ciro,  Nelson Marconi, afirmou que o dólar entre R$ 3,80 e R$ 4,00 estaria no patamar necessário para favorecer indústria e crescimento, tendo uma margem de lucro semelhante a do exterior. Ele ainda defendeu que o Brasil adote uma política desenvolvimentista, mas a diferencia da que foi implantada pela ex-presidente Dilma Rousseff. Adotando um discurso próximo da centro-esquerda, diz que "é preciso respeitar a eficiência do mercado", mas destaca a necessidade de uma reforma tributária "que acelere a distribuição de renda", disse ele ao Valor Econômico.

Já para a Folha de S. Paulo, ele afirmou que  mercado e estado são complementares e que existem setores estratégicos – energia elétrica, petróleo – que não podem ser privatizados, mostrando especial contrariedade com a privatização da Eletrobras (ELET6).

Marconi é  professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e faz parte da AKB (Associação Keynesiana Brasileira) e integra o grupo dos pesquisadores do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo, também da FGV. 

Contato