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Rede de 131 perfis falsos e blog disseminavam fake news e defendiam Dilma em 2010, diz BBC

Investigação feita pelo site da BBC Brasil mostra como funcionou a produção de conteúdo falso a favor da petista durante as eleições

Dilma Rousseff
(Roberto Stuckert Filho/PR)

SÃO PAULO - O uso de perfis falsos e a disseminação das chamadas fake news em períodos eleitorais não é um risco inédito restrito ao atual processo político brasileiro. De acordo com uma reportagem publicada pelo site da BBC Brasil, há registros de interferência indevida pelo menos desde o pleito de 2010, com tentativas de manipulação de opinião pública sendo usado em favor dos mais distintos candidatos em eleições subsequentes.

O texto, publicado na última sexta-feira (9), contou a história da criação de ao menos 131 perfis falsos para defender candidaturas petistas, sobretudo a de Dilma Rousseff. Dentre as figuras falsas que nasceram nas redes durante a corrida eleitoral, estava "Armando Santiago Jr.", dono de um blog para disseminação de conteúdo ("Seja Dita Verdade") favorável à petista e ataques ao principal adversário, o tucano José Serra.

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Segundo a matéria, uma empresa de marketing político teria contratado quatro pessoas para cuidar da criação de perfis falsos e a produção de conteúdo para cada um. Os funcionários teriam recebido de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil mensais entre maio e outubro de 2010. A reportagem ouviu três dos envolvidos, que detalharam estratégias adotadas, como a criação de perfis demograficamente diversos, espalhados em todas as regiões do País, com o objetivo de interagir com diferentes comunidades de forma atrativa para elas. Uma planilha à qual a BBC Brasil teve acesso mostrava a relação de perfis, suas histórias criadas pelos ex-funcionários e, em alguns casos, e-mail e senha de acesso.

A empresa apontada pelos entrevistados como responsável pelo serviço é a Ahead Marketing, à época sob o comando de Gabriel Arantes Cecílio e Arnaldo Lincoln de Azevedo. Os dois negaram participação na produção de notícias falsas, mas não responderam sobre a produção de perfis falsos. Eles também disseram à reportagem que não poderiam comentar se foram contratados para atuar na campanha de Dilma Rousseff em 2010 porque não falam sobre "clientes ou supostos clientes".

Em nota, a assessoria de imprensa de Dilma disse que, "em nenhuma de suas campanhas em 2010 e 2014", a ex-presidente "contratou ou autorizou que fosse contratado quaisquer serviços relativos a perfis e notícias falsos. Desconhece quaisquer das empresas ou pessoas que agem nessa área. Tampouco tem conhecimento ou autorizou qualquer atuação, iniciativa ou ação nesse sentido de integrante de suas campanhas".

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