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Com aposentadoria aos 55 sendo "norma" no Brasil, NYT questiona: os bons tempos irão durar?

Jornal aponta que reforma da previdência no Brasil foi adiada, mas discussão terá que voltar em algum momento

aposentado - terceira idade - Previdência
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A reforma da previdência não deve ser discutida antes das eleições, agendada para outubro deste ano, entretanto os déficits financeiros causados por ela permanecerão durante todo o ano. A aposentadoria aos 55 anos de idade, em média, permanecerá pelo menos até o fim do pleito, com grande possibilidade de ser objeto de discussão legislativa apenas no próximo ano. 

De acordo com o jornal americana The New York Times, em matéria chamada "Retire at 55? In Brazil, It’s the Norm. But Can the Good Times Last?" ("Aposentadoria aos 55? No Brasil, Essa é a norma. Mas os bons tempos podem durar", em tradução livre), essa inércia da política contribuiu para o déficit público recorde. O jornal publicou uma reportagem em que destaca que na maior parte do mundo os trabalhadores sonham com uma aposentadoria aos 55 anos de idade, em que recebam 70% do salário que ganhavam enquanto ativos. De acordo com Christopher Garman, diretor da consultoria política Eurasia Group, o Brasil pode ter sérios riscos orçamentários sem a Reforma. "O Brasil está caminhando para a insolvência e crise na dívida pública".

O assunto foi pauta, também, dos relatórios da Fitch e da Standard & Poors, que rebaixaram a nota de crédito do Brasil, alegadamente pelas dificuldades financeiras causadas pelo sistema previdenciário. O governo Temer trabalhava com um projeto em que estabelecia uma idade mínima, ao contrário do que é verificado atualmente, e que valeria tanto para o setor privado, quanto para o público.

Sobre esta proposta, o governo tentou emplacar uma campanha midiática, destacando as fragilidades deste modelo previdenciário, porém isso não rendeu frutos no Congresso e não foi construída uma agenda pró-votação. Neste sentido, com a intervenção federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro, Temer enterrou as possibilidades de votação antes das eleições. O ministro do governo, Carlos Marun confirmou recentemente que não há possibilidade de votação enquanto estiver vigente a intervenção federal.

Embora este fato tenha sido o motivo formal da desistência, aponta o NYT, o governo não tinha os votos para a aprovação da Reforma. A publicação destaca ainda que a população também não apoia as mudanças no sistema previdenciário, apesar do enfoque do governo ser de que ela combateria os privilégios e distinções. Conforme um estudo do Banco Mundial, os 20% mais pobres recebem apenas 4% das pensões previdenciárias. Assim, o NYT sinaliza que, mesmo com a reforma não passando neste ano, o assunto voltará à tona no Brasil. 

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