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Lava Jato deve acelerar em breve, ofensiva de empresários por previdência, novo ministério e mais destaques da política

Confira os destaques do noticiário político do feriado e desta quarta-feira (14) 

Michel Temer
(Beto Barata/PR)

SÃO PAULO - Não foi só o tom crítico utilizado por muitas escolas de samba na avenida que movimentou o Carnaval. O noticiário político seguiu movimentado durante o feriado, com destaque novamente para as movimentações eleitorais e também para a aprovação da reforma da previdência. 

Se o fim da semana passada foi marcado por especulações sobre a candidatura do apresentador de TV Luciano Huck e as falas de Fernando Henrique Cardoso de que o global ainda estaria considerando uma candidatura, o noticiário sobre ele seguiu no radar. 

Na última sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que Huck “está considerando a possibilidade” de se candidatar.  Além disso, a Folha noticiou que um jatinho de Huck que foi financiado a juros subsidiados pelo BNDES o que, segundo a Eurasia, revela algumas vulnerabilidades do apresentador para a campanha, mas que ele segue sendo um curinga em um cenário de raiva com os políticos (veja mais clicando aqui). 

Segundo a coluna Painel, da Folha, Huck tem mostrado extrema dúvida sobre se vai se lançar ou não. A publicação aponta que o apresentador confessa ter medo de “entrar numa aventura” e, depois de já ter saído da Globo, “puxarem seu tapete”, acabando sem contrato com a emissora e sem a eleição. 

A expectativa, de qualquer forma, é que Luciano Huck volte a falar (novamente) sobre se será candidato ou não nos próximos dias. No último fim de semana, o presidente nacional do PPS (Partido Popular Socialista), deputado Roberto Freire, disse que irá voltar a negociar, após o Carnaval, com Luciano Huck sobre uma possível candidatura do apresentador à eleição presidencial pelo partido, segundo informou o jornal O Globo. Huck vem negando candidatura, mas as especulações sobre seu nome aumentaram novamente após a condenação do ex-presidente Lula e com as falas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontando que o apresentador ainda está considerando candidatura. Os próximos dias podem dar novas sinalizações se o global irá para a disputa ou não. 

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Já o jornal O Estado de S. Paulo apontou que o economista Paulo Guedes está proponto um plano liberal ao candidato Jair Bolsonaro, que costuma ser um defensor de uma política nacional-desenvolvimentista. Entre as propostas estão um mandato fixo de quatro anos para a diretoria do Banco Central e privatizações de estatais. Paulo Guedes foi anunciado como o possível ministro da Fazenda de Bolsonaro caso ele seja eleito. 

Guedes disse ao jornal que, para ampliar a sua base de apoio, Bolsonaro terá de formar uma aliança de centro-direita, que reúna as forças liberal-democratas e conservadoras em torno de sua candidatura.

Enquanto isso, a colunista do jornal O Globo Miriam Leitão informou que a Operação Lava Jato vai entrar no final de fevereiro ou começo de março num ritmo mais forte. "Quem diz é quem acompanha as investigações. Há vários motivos para isso, que vão da maneira como a Polícia Federal distribuiu o trabalho no fim do ano até o amadurecimento de investigações que vinham sendo feitas. As operações, que ficaram escassas nos últimos meses, devem ser retomadas neste pós-carnaval", aponta. 

Polêmica com novo diretor da PF
Outra questão que ganhou as manchetes durante o feriado foi a fala do diretor-geral da PF, Fernando Segovia, à Reuters. O delegado sugeriu, segundo noticiado pela agência de notícias, que o inquérito que investiga o presidente Michel Temer no caso decreto dos Portos deve ser arquivado, gerando muita polêmica entre os entes da Justiça. Temer é suspeito de beneficiar via decreto a empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos, o que é negado pelo presidente. O decreto ampliou o prazo para atuação da empresa no porto. 

Segovia alegou que foi mal interpretado sobre suas declarações e disse ao Estadão que não vai pedir demissão. Sobre o assunto, o jornal O Globo informa que a Polícia Federal deverá pedir a prorrogação do prazo do inquérito. O prazo termina no próximo dia 20, mas de acordo com investigadores, apesar de a apuração ter avançado, ainda é preciso esclarecer alguns pontos. 

Além disso, a TV Globo noticiou que o Ministério Extraordinário da Segurança Pública será criado por medida provisória depois do carnaval. 

A criação de uma pasta da Segurança Pública foi proposta pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, e vem sendo debatida desde novembro de 2017. Na semana passada, o presidente bateu o martelo em razão do agravamento da crise de segurança.  O texto da MP, inclusive, já está pronto e o governo avalia nomes para a função, apontou o canal.

Atenção ainda para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O Tribunal publicou a resolução que disciplina os mecanismos de financiamento de campanha para as eleições de 2018. De acordo com o texto, publicado no dia 2 no Diário da Justiça Eletrônico, além dos recursos partidários e doações de pessoas físicas, os candidatos poderão usar recursos próprios em suas campanhas, o chamado autofinanciamento.

Sobre eleições, atenção ainda para uma nova pesquisa eleitoral, que foi registrada pelo Ibope. No site do TSE, consta que a pesquisa será divulgada dia 15 de fevereiro. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Ainda sobre todo o impasse eleitoral, vale ficar atento ainda ao desenrolar da situação de Lula no cenário eleitoral de 2018. Na última sexta-feira, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu enviar o pedido de habeas corpus feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao plenário da corte, após negar a solicitação. Caberá então à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, definir a data do julgamento. Ainda não há previsão de quando os 11 ministros da Corte vão discutir o habeas corpus.

Reforma da previdência
Enquanto o noticiário eleitoral segue movimentado, o governo faz o esforço final para votar a reforma da Previdência ao retomar os trabalhos hoje e disposto a fazer novas concessões na proposta em busca de voto, segundo informa O Globo. Temer deve se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tratar da matéria. Maia tem dito que a proposta não passa se não houver engajamento de prefeitos e governadores e que ele pode retirar o assunto da pauta se o Planalto não conseguir os votos necessários à aprovação da reforma. 

A coluna Painel, da Folha, destaca um apoio que o governo está recebendo para a aprovação da reforma: a de associações empresariais ligadas à indústria e ao agronegócio, que resolveram aumentar a pressão sobre os deputados federais. Definiram como alvo cerca de 120 parlamentares que ainda se declaram indecisos sobre a proposta negociada pelo governo com o Congresso. "Encerrado o Carnaval, pretendem bombardeá-los com mensagens telefônicas para que aprovem as mudanças nas aposentadorias", afirma a coluna.

O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, acertou a iniciativa com Temer na semana passada e prometeu mobilizar centenas de entidades para apelar aos deputados.  Embora até integrantes do governo expressem pessimismo sobre as chances de aprovação da reforma, o engajamento dos empresários é considerado importante em ano eleitoral, aponta a coluna. A avaliação de aliados do presidente é que os empresários têm influência em suas regiões e podem ajudar os parlamentares a financiar suas campanhas, num ano em que não poderão contar com doações das empresas. 

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