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Investidores em Brasil estão com um pensamento igual ao de Tiririca, diz Financial Times

Pior que está não fica? É assim que os investidores parecem pensar sobre o cenário em Brasil, ao precificar o Brasil "a perfeição"

Tiririca
(Agência Brasil)

SÃO PAULO - O que os investidores em Brasil têm a ver com o Tiririca? A percepção de que "pior que está não fica", segundo aponta o jornal britânico Financial Times em matéria chamada "Brazil remains priced for perfection in the eyes of investors" (ou Brasil segue precificado à perfeição aos olhos dos investidores), em que ressalta que o mercado brasileiro segue atingindo novos recordes apesar dos riscos que estão no radar neste ano.

Se por um lado, há essa percepção, vale destacar que também há uma diferença: enquanto Tiririca foi à tribuna no ano passado dizer que não concorreria à eleição e que estava desapontado com a política brasileira, o FT aponta que os "investidores parecem estar indo na direção oposta, apostando que as eleições vão produzir um novo presidente que manterá as reformas feitas recentemente no país ou que, pelo menos, não será tão ruim quanto o que a angústia de Tiririca mostra".

Para os analistas consultados pela publicação, os catalisadores por trás do ânimo recente com a bolsa atingindo a sua máxima histórica na segunda-feira foram os ventos globais e o otimismo de que a eleição, embora sendo extremamente imprevisível, não produzirá surpresas que tenham um impacto muito negativo na economia, uma vez que não há dinheiro para financiar alguns das promessas populistas que afligiram o Brasil no passado recente.

Isso reforça a percepção de novos recordes de corretoras e grandes bancos de novos recordes para o Ibovespa neste ano, ainda mais em um cenário de redução da Selic, de recuperação econômica e de perspectiva de alta de lucro para as empresas neste ano. 

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O FT lembra que o Brasil teve um dos maiores desempenhos nos mercados emergentes em 2017, apesar de ter alguns reveses, como quando houve o fracasso da votação da reforma da Previdência no ano passado - a expectativa é de que a votação ocorra em fevereiro.

"Lentamente, mas de forma constante, a economia brasileira avançou em direção a um melhor equilíbrio macroeconômico, mas o lento progresso em direção à consolidação fiscal poderia potencialmente comprometer os ganhos recentemente alcançados no desempenho macroeconômico e nos preços dos ativos", adverte o economista da Goldman Sachs, Alberto Ramos. Por outro lado, ele aponta que, embora não seja alta, há ainda uma chance de aprovar uma reforma mínima na previdência no primeiro trimestre. 

Contudo, mesmo que a reforma da previdência seja diluída, como já foi, qualquer mudança contaria como uma melhora frente à forte deterioração das finanças públicas durante o governo de Dilma Rousseff, aponta o FT. Isso aumentaria a garantia de que o Brasil honrará suas dívidas.

De qualquer forma, os analistas consultados pelo jornal britânico alertam que a eleição de um populista poderia desencadear um cenário de estresse - e, nesse sentido, esse cenário é um grande ponto de interrogação até 24 de janeiro, quando haverá o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou a ser um grande temor para o mercado. 

"Se o tribunal [Tribunal Regional Federal - 4ª Região] confirmar a condenação, suas chances de contestar a eleição serão severamente danificadas. Caso a sentença seja derrubada, o ex-sindicalista que governou o Brasil entre 2003 e 2010 poderá participar do pleito, antecipando as expectativas do mercado. Ele está liderando o voto nas pesquisas de opinião", aponta a publicação. 

Ela pondera, ao ressaltar que o cenário é de muita precaução e é muito cedo para ter uma conclusão sobre o assunto. Contudo, os títulos brasileiros oferecem um "testemunho" do otimismo entre os investidores de que os eleitores, agredidos por escândalos de corrupção, não votarão por velhos rostos como o de Lula, aponta o jornal. 

"Tiririca foi eleito duas vezes para o Congresso com o slogan 'Pior do que está não fica'. Os investidores parecem concordar com ele que o pior já passou", conclui a publicação.  

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