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"Prexit": o real drama que o Brasil enfrentará na eleição de 2018 (se quiser olhar para a frente)

A expressão Prexit resume um dilema real que o Brasil e diversos países da América Latina terão que enfrentar nesse ano: se livrar ou não da influência de presidentes e ex-presidentes "super poderosos", afirma cientista político

Bandeira Brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em artigo para a revista, Americas Quaterly, dos EUA, o professor de ciência política da Amherst College, Javier Corrales, destacou qual será o grande dilema (e drama) para o Brasil - e também para a América Latina - em 2018, ano de eleições em vários países da região. 

"A política em muitos países da América Latina este ano estará dominada por um tema que também entrou no radar em 2017 e em anos antes: 2018 será o ano do Prexit", afirma Corrales. Por Prexit, ele entende os esforços para a escapar da influência de presidentes e também ex-presidentes muito poderosos. 

De acordo com o cientista político, a América Latina tem sérios problemas com ex-presidentes, com muitos simplesmente se recusando a se retirar da política e com vários deles tendo ainda muito vigor e podendo influenciar o status quo (e pior, ameçando uma volta).

"Esses ex-presidentes sempre conseguem continuar influentes não apenas dentro das instituições-chave, mas na mente dos eleitores", afirma o cientista político, que destaca Lula no Brasil, Álvaro Uribe no Uruguai, a família Fujimori no Peru e os Kirchners na Argentina. Em alguns países, mesmo os presidentes mortos, como Fídel Castro em Cuba e Hugo Chávez na Venezuela, parecem ainda estarem vivos, afirma.

Para o analista, a pior consequência é que esses ex-presidentes impedem suas nações de andarem para a frente. "Liberar os países de sua influência é algo que fará um bem coletivo porque ajudará na renovação política", afirma, defendendo ser positivo o Prexit. 

Porém, há efeitos colaterais. No passado recente, afirma Corrales, a região experimentou dois modelos Prexit. O mais comum é colocar novos líderes no cargo que são rivais ideológicos abertos de ex-presidentes. O outro é colocar sucessores ideológicos no cargo e esperar alguma forma de reformismo. "Cada abordagem tem suas próprias armadilhas potenciais", aponta.

No início dos anos 2000, o primeiro modelo estava associado à "maré rosa" (ascensão de diversos nomes da esquerda ao poder). Nos últimos tempos, está associada a Mauricio Macri na Argentina, Michel Temer no Brasil, e - até o mês passado - Pedro Pablo Kuczynski (PPK) no Peru. Estes três presidentes chegaram ao poder como sendo a esperança do país para conter kirchnerismo, lulismo e fujimorismo. Com relação a essa última questão, casos atuais mostram que apenas Macri está obtendo algum sucesso com o Prexit, com destaque para as vitórias eleitorais que ele teve recentemente e para o sucesso nas reformas ao mesmo tempo que preserva programas sociais, enquanto a ex-presidente Cristina Kirchner enfrenta problemas na Justiça. 

No caso de Temer, para o analista, o erro foi tentar "apagar demais" as políticas feitas por Lula durante o governo, mesmo as que funcionam, ao mesmo tempo em que o atual presidente teve que enfrentar denúncias de corrupção. "Enquanto PPK, do Peru, ofereceu um indulto a um ex-presidente [Alberto Fujimori], Temer parece gostar de auto-indultos. O problema com esta abordagem, como todas as formas de extremismo, é que repolariza a nação e, no processo, fortalece o outro lado, que é a mesma força que você está tentando enfraquecer", afirma o colunista.

"A América Latina precisa se libertar da influência de ex-presidentes superpoderosos. O sucesso é possível, mas o processo é longo e cheio de riscos. A coragem é necessária, assim como  seletividade. Paradoxalmente, a maneira mais segura de reduzir o feitiço persistente dos ex-presidentes pode muito bem exigir preservar alguns dos seus legados", conclui o artigo. 

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