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Os 3 grandes golpes contra a candidatura de Henrique Meirelles à presidência

Novo adiamento da reforma previdenciária, impopularidade e restrições ao autofinanciamento de campanha podem inviabilizar sonho do ministro

Henrique Meirelles
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Tida como uma das principais bandeiras do atual governo, a reforma da Previdência sofreu um novo revés na Câmara dos Deputados com mais um adiamento na votação em primeiro turno da proposta de emenda constitucional. A análise da impopular medida pelos parlamentares ficou para o ano que vem, meses antes das eleições, mas sem indicações claras de que o Palácio do Planalto conseguirá reverter os votos necessários para aprová-la. Embora seja missão considerada complexa, esta não deixa de representar uma derrota significativa do presidente Michel Temer.

Mas não foi só o peemedebista que saiu prejudicado com a derrota. Hoje, é impossível analisar o clima para a tramitação da reforma previdenciária nas casas legislativas sem considerar o cenário eleitoral. Nesse sentido, qualquer nome que busque ocupar um espaço mais alinhado ao governismo, a despeito da impopularidade recorde de Temer, sofre com a procrastinação da PEC 287.

É o caso de Henrique Meirelles, capitão da agenda econômica do atual governo que sonha em candidatar-se à presidência da República. Dos nomes atualmente especulados, excetuando-se uma improvável tentativa de reeleição do atual presidente, é ele o mais atrelado à imagem do governo e mais dependente de seus resultados, sobretudo do ponto de vista econômico (leia-se emprego, renda e poder de compra, principalmente). Isso porque a possibilidade de retomada mais expressiva da economia pode ser inviabilizada, o que conduziria o favoritismo à oposição. Vale lembrar que a um ano das eleições, os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas são da oposição: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda), o deputado federal Jair Bolsonaro (à direita) e a ex-ministra Marina Silva (ao centro).

De acordo com o último barômetro político feito pelo instituto Ipsos, 70% dos brasileiros desaprovam a maneira como Meirelles vem atuando no país. É a pior marca registrada pelo ministro desde abril do ano passado. Apenas 7% dizem aprovar totalmente ou um pouco a atuação do ministro da Fazenda.

Na semana passada, Meirelles criticou a rebeldia de alas do PSDB que dizem não apoiar a reforma da Previdência e ainda disse que Alckmin não será o nome apoiado pelo governo nas eleições presidenciais. Ontem, na primeira reunião da Executiva Nacional comandada pelo governador paulista, os tucanos fecharam questão a favor das mudanças nas regras para as aposentadorias. A iniciativa não tem grandes efeitos práticos, mas conta com simbolismo importante. Agora, é a vez do tucanato apontar para Meirelles e dizer que o PSD, partido do ministro, sequer conseguiu dar esse passo.

Além da impopularidade e de toda a conjuntura para a reforma previdenciária, outro fator que joga contra Meirelles na corrida presidencial foi a derrubada de um veto de Michel Temer pelo Congresso Nacional na reforma política. Na última quarta-feira, os parlamentares retiraram permissão de limites maiores a doações eleitorais individuais. Agora, as contribuições de cidadãos comuns (inclusive o autofinanciamento por candidatos) às campanhas ficarão restritas e não poderão superar 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior ao pleito.

A ausência de limites favorecia candidatos que gozavam de recursos próprios para abastecer suas campanhas, como poderia ser o caso do ministro. Acreditava-se que a possível disposição de Meirelles em gastar milhões do próprio bolso bancar sua própria campanha poderia ser um trunfo dentro do PSD. Agora, sem esse recurso, a situação ficou ainda mais difícil. Com o olhar de hoje, a candidatura de Meirelles corre grandes riscos de não decolar.

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