Em mercados / politica

General que defendeu intervenção militar é destituído de cargo após críticas a Temer

O movimento ocorre após ele afirmar que o presidente Michel Temer faz do governo um "balcão de negócios" para se manter no poder 

Antônio Hamilton Martins Mourão
( Divulgação / Exército Brasileiro)

SÃO PAULO - O Exército comunicou neste sábado ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, que o general Antonio Hamilton Mourão foi destituído do cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército. "O comandante do Exército me informou que pedirá a exoneração [de Mourão], e eu concordei, o que será feito via decreto presidencial na segunda-feira", disse o ministro.

O movimento ocorre após ele afirmar que o presidente Michel Temer faz do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder em palestra proferida na última quinta-feira a um grupo chamado Ternuma (Terrorismo Nunca Mais).

“Não há dúvida que atualmente nós estamos vivendo a famosa Sarneyzação (em referência ao ex-presidente José Sarney). O nosso atual presidente vai aos trancos e barrancos buscando se equilibrar e mediante o balcão de negócios chegar ao final de seu mandato”, disse ele.

Mourão vai ficar sem função à espera do tempo de ir para reserva, em março de 2018. Para substituí-lo, foi indicado o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira.

Em setembro, Mourão falou três vezes sobre intervenção militar em outra palestra. Desta vez, foi mais comedido, mas voltou a falar sobre o assunto. Ele apontou que  o Exército pode ter o papel de "elemento moderador e pacificador", agindo "dentro da legalidade".

“Se o caos for ser instalado no País, e o que a gente chama de caos, não houver mais um ordenamento correto, as forças institucionais não se entenderem, não chegarem a uma conclusão daquilo que tem que ser feito, terá que haver um elemento moderador e pacificador nesse momento, atuando exatamente dentro dos três pilares que foram colocados pelo nosso comandante. Mantendo a estabilidade do País e não mergulhando o País na anarquia, agindo dentro da legalidade,  ou seja, dentro dos preceitos constitucionais e dos nossos objetivos nacionais permanentes e usando a legitimidade que nos é dada pela população brasileira”, afirmou. As Forças Armadas, segundo ele, estão atentas "para cumprir a missão" que cabe a elas. "Mas por enquanto nós consideramos que as instituições têm que buscar fazer a sua parte."

 Em setembro, ele afirmou que seus "companheiros do Alto Comando do Exército" entendiam que uma "intervenção militar" poderá ser adotada se o Judiciário "não solucionar o problema político", em referência à corrupção de políticos. Naquele mês, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o subordinado não receberia punição pelas afirmações.

Ao Estadão, Mourão disse  que suas declarações são mal interpretadas e negou ter insinuado que o presidente Michel Temer praticou crimes. Ele ainda classificou seu afastamento do cargo de secretário como uma “movimentação normal” e ainda negou que tenha ouvido repreensão do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas.

“É uma movimentação normal dentro do Exército. Meu comandante não me falou nada (sobre a palestra). Eu não fiz comentário a respeito do presidente. Eu apenas retratei cenários que estão sendo colocados hoje. Não chamei o presidente de corrupto, de ladrão nem de incompetente”, afirmou.

 

 

 

 

Contato