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Sem garantia de votos, Temer faz um alerta a aliados sobre reforma da previdência

 Para ele, não se pode ter a ilusão de aprovar a proposta  no plenário da Câmara apenas em 2018, informa o Valor

SÃO PAULO - Na noite de quarta-feira, o  governo esperava terminar de contabilizar quantos votos existem a favor da reforma da Previdência. O presidente Michel Temer reuniu 19 ministros, mais deputados e senadores da base aliada, além de líderes de partido. Foram mais de 47 presentes em uma reunião no Palácio da Alvorada, mas o governo ainda não tem a resposta que queria. 

A expectativa era receber dos partidos, no encontro que terminou no final da noite, os números de quantos deputados votam com o governo, mas a resposta veio apenas do PP, conforme informou a Agência Brasil nesta manhã. Agora, Temer espera esses números até esta quinta-feira (7), ao meio-dia.

Desta forma, diante da ausência de garantia de número de votos necessários, levando ao adiamento da decisão de agendar a votação da proposta na Câmara, Temer fez um alerta aos aliados, conforme informa o Valor Econômico. Para ele,  não se pode ter a ilusão de aprovar a proposta  no plenário da Câmara apenas em 2018. 

“Usando franqueza, se não tivermos condições de votar a reforma agora, não podemos ter a ilusão de votá-la em março, às vésperas da eleição”, alertou, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal. 

A fala na mesma direção veio do presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que apontou no encontro que, se a proposta não for votada em dezembro pelos deputados, a chance de aprovação em 2018 é “zero”. Segundo ele, a vida política do governo Temer se define na votação da reforma da Previdência - e a repercussão será direta na disputa eleitoral.

Para a LCA Consultores, PSD, PR e PSDB são os principais obstáculos à votação. Mas o Planalto ainda não desistiu totalmente: acena com a possibilidade de liberação de mais recursos para os parlamentares e até as centrais sindicais. Além disso, ainda espera que após a convenção do PSDB no próximo final de semana, Geraldo Alckmin, já como presidente do partido, seja mais firme no enquadramento da bancada tucana.

"Se a proposta não for pautada para a próxima semana no plenário da Câmara Federal, dificilmente será possível votá-la neste ano", concluem os analistas da consultoria.

Henrique Meirelles e Michel Temer
(Beto Barata/PR)

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