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Radar político: bate-boca de Lula e Moro, prisão de Garotinho "ao vivo", Meirelles candidato e mais

Confira os principais assuntos que agitaram a política nacional

SÃO PAULO - O noticiário político desta quarta-feira (13) começou bastante agitado com as prisões de Anthony Garotinho e no executivo Wesley Batista, e segui bastante movimentado com a "confusão" das declarações sobre uma candidatura de Henrique Meirelles à presidência em 2018. No fim do dia, destaque ainda para o depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro. Confira um resumo da política de hoje:

Meirelles candidato em 2018?
O ministro da Fazenda Henrique Meirelles já é tratado como pré-candidato do PSD à presidência da República nas eleições de 2018. As informações foram dadas pelo portal Poder360. Segundo um dos presentes em almoço oferecido pelo ministro a deputados, Meirelles "deixará o nome fluir com naturalidade" e vai "viajar na medida do possível".

Conforme noticia a Bloomberg, o líder do partido na Câmara, deputado Marcos Montes (MG), disse que o economista recebeu com entusiamo a proposta. "Colocamos a Meirelles que ele é um nome que preenche requisitos", disse a jornalistas. "O nome de Meirelles cai como uma luva". O ministro, porém, segundo o parlamentar, não respondeu imediatamente.

Além de Montes, participaram do almoço os deputados André de Paula (PE), Antônio Brito (BA), Atila Lins (AM), Carlos Souza (AM), Diego Andrade (MG), Edmar Arruda (PR), Evandro Roman (PR), Expedito Netto (RO), Fábio Mitidieri (SE), Heuler Cruvinel (GO), Goulart (SP), Herculano Passos (SP), Jefferson Campos (SP), João Rodrigues (SC), Joaquim Passarinho (PA), José Nunes (BA), Júlio Cesar (PI), Marcos Reategui (AP), Raquel Muniz (MG), Sérgio Brito (BA), Victor Mendes (MA), Jaime Martins (MG) e o presidente dos Correios, Guilhermes Campos.

Em sua conta no microblog Twitter, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que "ficou muito honrado com as palavras de todos os deputados do PSD", mas negou que seja pré-candidato à presidência da República nas eleições de 2018.

Lula e Moro batem boca
Já no fim do depoimento de cerca de duas horas prestado nesta quarta ao juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus advogados aproveitaram para questionar as atitudes do magistrado, levantando a possibilidade dele não ter sido imparcial com Lula.

"Não posso deixar de dizer que esses processos contra mim fizeram com que vocês virassem reféns da imprensa brasileira", afirmou o petista em suas considerações finais. Em seguida, ele decidiu fazer uma questão direta ao juiz: "vou chegar em casa amanhã almoçar com 8 netos e uma bisneta de 6 meses. Posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?".

Já sem muita paciência, Moro responde que "não cabe ao senhor perguntar isso a mim. Mas de todo modo sim". Mas Lula volta a questionar o juiz, dizendo que "não foi o procedimento na outra ação", em relação ao caso do triplex, em que Moro condenou o petista a 9 anos e 6 meses de prisão.

"Eu não vou discutir a outra ação com o senhor. A minha convicção é que o senhor foi culpado. O senhor está discutindo lá no tribunal, e apresente suas razões no tribunal. Se fossemos discutir aqui, não seria bom para o senhor", rebateu novamente Moro.

Lula completa ainda dizendo que tem que discutir sim. "Vou esperar que a justiça continue a fazer justiça nesse país". Neste momento, Moro afirma que vai interromper a gravação e o vídeo é encerrado. Para ver o vídeo, clique aqui.

Depoimento de Lula
O ex-presidente Lula disse em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, na Justiça Federal em Curitiba, que o ex-ministro da Fazenda de seu governo Antonio Palocci mentiu durante depoimento prestado à Justiça Federal. Lula disse a Moro que Palocci mentiu para conseguir os benefícios de uma delação premiada e que teria ficado com pena do ex-ministro.

Ao iniciar o depoimento, Lula disse que "apesar de entender que o processo é ilegítimo e injusto”, pretendia falar. “Talvez eu seja a pessoa que mais queira a verdade neste processo", afirmou.

"Eu vi o Palocci mentir aqui essa semana", disse Lula, acrescentando que viu atentamente o depoimento de seu ex-ministro, que classificou como “cinematográfico” e que parecia ter sido escrito por um roteirista de televisão.

“Você vai dizer tal coisa, os lides [no jornalismo, a primeira parte de uma notícia] são esses, preparam alguns lides para dizer e o Palocci, se não fosse um ser humano, ele seria um simulador. O Palocci é tão esperto que ele é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. Ele é médico, é calculista, é frio. Nada é verdadeiro. A única coisa que tem verdade ali é ele dizer que está fazendo a delação porque ele quer os benefícios da delação ou quem sabe um pouco do dinheiro dele que vocês bloquearam”, disse Lula.

O ex-presidente responde processo pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, a empreiteira Odebrecht comprou um terreno para a construção de uma nova sede para o Instituto Lula.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Odebrecht pagou R$ 12,4 milhões pelo terreno, mas a obra não foi executada. A empreiteira também teria comprado um apartamento vizinho ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo (SP).

STF rejeita suspeição de Janot
Por unanimidade, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitaram o pedido de suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em investigações relacionadas ao presidente Michel Temer, iniciadas a partir das delações da JBS. Foram 9 votos a zero contra o pedido da defesa do peemedebista.

Os ministros seguiram voto proferido pelo relator do caso, ministro Edson Fachin, que negou o mesmo pedido antes de o recurso chegar ao plenário. No voto proferido na sessão desta tarde, o relator disse não há indícios de Janot atuou de forma imparcial e com “inimizade em relação a Temer.

Segundo a Fachin, declarações do procurador à imprensa não podem ser consideradas como causa de suspeição. Na ação, a defesa de Temer também cita uma palestra na qual Janot disse que, "enquanto houver bambu, lá vai flecha", fazendo referência ao processo de investigação contra o presidente.

Julgamento sobre nova denúncia é adiado
O STF interrompeu o julgamento do pedido feito pela defesa do presidente Michel Temer para suspender uma eventual denúncia contra ele a ser apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Após a manifestação do advogado de Temer e da PGR, a sessão foi encerrada e remarcada para a próxima quarta, dia 20, quando Janot já terá deixado o cargo. Mesmo assim, isso não deve impedir que o procurador apresente a denúncia contra Temer ainda nesta semana.

Garotinho é preso "ao vivo"
Pouco menos de dez meses após ter sua prisão revogada, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho voltou a ser preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta. Os agentes cumpriram um mandato de prisão domiciliar.

Garotinho apresentava seu programa diário na Rádio Tupi, em São Cristóvão, quando o mandado foi cumprido por três agentes que o esperavam por volta das 10h30 (horário de Brasília).

O ex-governador é réu pela Operação Chequinho, que investiga suposta fraude nas eleições municipais de Campos (RJ), com o uso irregular de um programa assistencial. Em novembro, ele chegou a ser preso preventivamente, mas obteve habeas corpus do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mediante pagamento de fiança. Clique aqui e ouça o momento em que ele sai do programa no rádio para ser preso.

Prisão de Wesley Batista
A Polícia Federal cumpriu, nesta manhã, em São Paulo, pedido de prisão preventiva de Wesley Batista, sócio da JBS e irmão do empresário Joesley, preso no fim de semana. A movimentação ocorre pela operação Acerto de Contas, segunda fase da Tendão de Aquiles. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Há também uma ordem de prisão contra o empresário Joesley, que já está preso temporariamente por ordem do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Os executivos são investigados em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido no mercado de câmbio antes da divulgação da delação premiada de executivos da J&F -- dia conhecido como "Friboigate", que marcou a revelação de áudio de conversa mantida pelo presidente Michel Temer com Joesley. A investigação também apura a realização de ordens de venda de ações da JBS por sua controladora, entre 24 de abril e 17 de maio.

Segundo a Polícia Federal, "há provas que os irmãos agiram pessoalmente para manipular ações do grupo no mercado". A suposta manipulação do mercado teria acarretado grandes prejuízos aos acionistas da companhia.

Montagem Lula Garotinho Meirelles
(Reprodução)

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