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Ex-presidente do BB e da Petrobras, Aldemir Bendine é preso em nova fase da Lava Jato

Os policiais cumprem 11 mandados de busca e apreensão e 3 mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo

SÃO PAULO - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira a 42ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Operação Cobra, que tem como alvo principal a investigação de ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, bem como de pessoas a ele associadas, pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, dentre outros”, segundo comunicado. 

Os policiais cumprem 11 mandados de busca e apreensão e 3 mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Bendine foi preso nesta manhã e um dos representantes do executivo – o publicitário André Gustavo Vieira da Silva – também é um dos alvos de prisão.

 “Segundo as investigações realizadas até este momento, o ex-presidente das instituições mencionadas e pessoas a ele relacionadas teriam solicitado vantagem indevida em razão dos cargos exercidos para que o Grupo Odebrecht não viesse a ser prejudicado em futuras contratações da Petrobras e, em troca, o grupo empresarial teria efetuado o pagamento em espécie de ao menos R$ 3 milhões”, afirma o comunicado. Aparentemente, de acordo com a PF, estes pagamentos somente foram interrompidos
com a prisão do então presidente do Grupo Odebrecht. 

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há evidências indicando que, numa primeira oportunidade, um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi realizado por Bedine à época em que era presidente do Banco do Brasil, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. "Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, executivos da Odebrecht que celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do Banco do Brasil", disseram os procuradores.

Ao justificar a prisão de Bendine e outros operadores financeiros, o procurador da República Athayde Ribeiro Costa disse que “é incrível topar com evidências de que, após a Lava Jato já estar em estágio avançado, os criminosos tiveram a audácia de prosseguir despojando a Petrobras e a sociedade brasileira”. De acordo com o MPF, Bendine e os operadores financeiros, presos na operação de hoje, solicitaram propina em 2015; após várias operações da Lava-Jato já terem sido realizadas.

“Os crimes recentes são a prova viva de que a prisão é necessária para frear o ímpeto criminoso de um esquema que vem desviando bilhões há mais de década”, afirmou o procurador. 

O nome da fase, Cobra, é referência ao codinome dado ao principal investigado nas tabelas de pagamentos de propinas apreendidas no chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht durante a 23ª fase da Lava Jato. A PF concede entrevista coletiva às 10h00 na Superintendência em Curitiba.

(Com Bloomberg)

Aldemir Bendine
(Valter Campanato/ABr)

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