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"Melou" para o governo? Votação da denúncia contra Temer na CCJ pode ficar para agosto

Vice-líder do governo na Câmara já admite que o pleito deve ficar para depois do recesso parlamentar

SÃO PAULO - Esperada para ser realizada na próxima sexta-feira (14), a votação da denúncia contra Michel Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) pode ser adiada através de manobras de partidos de oposição, com reais possibilidades de ser realizada somente em agosto, deixando o governo "sangrar" e a mercê de novas denúncias.

Nas discussões desta manhã na CCJ, Júlio Delgado, deputado do PSB de Minas Gerais, sugeriu mudanças no relatório elaborado pelo deputado peemedebista, Sérgio Zveiter, que na segunda-feira (10) emitiu parecer pela admissibilidade da denúncia contra o presidente. Vale destacar que o PSB decidiu trocar os seus representantes na Comissão para garantir todos os 4 votos no colegiado contra Temer.

Se acatar as propostas de alteração apresentadas nos debates, Zveiter poderá pedir mais prazo para modificar seu texto, medida que resultaria no atraso da votação na Comissão. E parece que a manobra já está surtindo efeito: Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo na Câmara, afirmou que será "pouco provável" votar a denúncia na sexta-feira e prevê o pleito para agosto, após o recesso parlamentar que deverá ter início na semana que vem.

No mesmo tom, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, confirmou na tarde desta quinta-feira que a votação no Congresso deve ficar para agosto por conta de falta de quórum: "pode ser agora, pode ser agosto, quem quer receber a denúncia é que tem que colocar o quórum". A própria base admite que não haveriam os 342 deputados para abrir a sessão, número já estipulado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Michel Temer
(Lula Marques/AGPT/FotosPúblicas)

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