Em mercados / politica

Enquanto Temer se prepara "para o pior", Maia reclama e se diz injustiçado pelo Planalto

Presidente da Câmara reclama de cobranças feitas pelo Planalto - contudo, dois fatores podem fortalecê-lo para a presidência da República

SÃO PAULO - A denúncia contra o presidente Michel Temer está no centro das atenções do Congresso Nacional e dos mercados nesta semana. E o trâmite já começa nesta segunda-feira às 14h30 (horário de Brasília), com a  leitura do parecer do relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) pela admissibilidade ou não da denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) . 

Segundo os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o governo e a base aliada já preveem um parecer contrário ao presidente. Desta forma, intensificam as articulações para tentar barrar na Comissão o avanço da denúncia.

O presidente se reuniu no domingo (9) com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), no Palácio do Jaburu, para discutir a crise política. Ele ainda traçou estratégias com ministros e líderes governistas em encontro à noite no Palácio da Alvorada. Os principais nomes do governo atuaram para garantir que a comissão tenha quórum suficiente, nesta segunda. Com 66 membros, a CCJ necessita de ao menos 34 deputados presentes para começar os trabalhos.

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o Planalto contabiliza vitória com 41 votos na CCJ, incluindo trocas de membros ainda a serem feitas; outros aliados, contudo, esperam apenas 30, o que não seria suficiente para a vitória de Temer. 

Enquanto isso, os jornais do final de semana e desta segunda-feira destacam que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vem buscando se viabilizar como alternativa ao governo Michel Temer ao se alinhar com o mercado financeiro e sinalizando que manterá a equipe econômica (com destaque para a manutenção de Henrique Meirelles no ministério da Fazenda). De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo do domingo, Meirelles estaria discutindo reservadamente a possibilidade de se manter ministro num eventual governo Maia, com a condição de ter mais autonomia. Ele nega as discussões. 

Delação de Cunha afeta Maia, mas não tanto...
Contudo, sendo Maia ou Temer no poder, a tensão com a Lava Jato continua, sendo um outro fator de tensão é a possibilidade de sair uma delação premiada do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, ele já está finalizando os textos com as informações para o acordo de delação e rascunhou mais de cem anexos para a colaboração. De acordo com a reportagem, Cunha deve envolver diretamente Temer, os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) em sua delação, assim como citar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Contudo, Maia estaria livre de "disparos atômicos" tanto da JBS quanto de Cunha caso venha a assumir a presidência no lugar de Temer, diz a colunista em reportagem desta segunda-feira. 

"Maia aparece na delação da JBS como beneficiário de R$ 100 mil para campanhas eleitorais. Mas Joesley Batista mal o conhece e dificilmente acrescentaria informações bombásticas sobre o parlamentar em novos depoimentos à Justiça", afirma Mônica Bergamo. Por outro lado, a delação da Odebrecht segue sendo a mais delicada para Maia: ele teria recebido R$ 1 milhão em três anos eleitorais e é investigado sob a suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

Maia se viabiliza para a presidência; contudo, ele tem manifestado profundo incômodo com a desconfiança de aliados de Temer sobre suas atitudes, informa a coluna Painel, da Folha. Ele teria confidenciado a pessoas próximas que se sente “injustiçado” e que o governo cobra uma posição pró-ativa num momento em que ele opta pela institucionalidade. Queixou-se especialmente do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Apesar das críticas, Maia poupou Michel Temer." Aliados do presidente da Câmara afirmam que o único elo ainda preservado é a relação pessoal com o peemedebista", afirma a coluna.

Neste sentido, novos passos para a viabilização ou não de Maia à presidência deve ocorrer nesta segunda-feira. Além do parecer de Zveiter na CCJ, está no radar a reunião do PSDB para decidir a sua posição no governo Temer, em meio a tantas visões desencontradas do partido e explicitadas no final da última semana (veja mais clicando aqui).  Caso o parecer de Zveiter seja favorável à denúncia contra Temer e os tucanos sinalizem a saída do governo, Maia pode ganhar ainda mais forças para substituir o peemedebista no pdoer. 

Michel Temer e Rodrigo Maia
(Carolina Antunes/PR)

Contato