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Caixa 2 é um crime contra a democracia e pior do que enriquecimento ilícito, diz Moro nos EUA

"Temos que falar a verdade, o Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia", disse o juiz na Brazil Conference

SÃO PAULO - Em palestra na Brasil Conference de Harvard e MIT, nos EUA, o juiz Sérgio Moro afirmou que a corrupção para financiamento de campanha é pior que o desvio de recursos para o enriquecimento ilícito. 

"Temos que falar a verdade, Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível. Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral", disse ele. 

Ele defendeu o pacote anticorrupção elaborado pelo MPF (Ministério Público Federal). De acordo com ele,  "utilizaram duas ou três medidas mais controversas para desmerecer todo um projeto".

Moro também defendeu a revisão do alcance do foro privilegiado, tanto para parlamentares, quanto para magistrados. "Não vejo nenhum problema nisso. Eu não faço questão nenhuma de ter esse tipo de privilégio. Se for para suprimir dos parlamentares federais, acho justo que se suprima dos juízes federais."

Moro foi questionado caso tinha se encontrado no evento com a ex-presidente Dilma Rousseff em Harvard - ela discursou duas horas antes dele, mas ele disse que não. Moro também preferiu não comentar a frase do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou em entrevista estar “ansioso” para encontrar o juiz, em depoimento a ser realizado em 3 de maio. 

Moro elogiou o que chamou de "passos sérios e significativos" dados pelo Brasil na consolidação da democracia no país, apesar da revelação de "fatos vergonhosos", destacando que "o que nós não podemos é nos conformar com nossos vícios e nossos problemas", afirmou.

Sérgio Moro
(Pedro de Oliveira/ ALEP)

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