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Os 7 "tapas de pelica" trocados entre Armínio e Mantega durante debate na GloboNews

Brasil vive situação esdrúxula; economia não cresce por conta da crise, mas que crise?; a culpa da inflação em 2002 foi a iminente entrada de Lula no poder - ou a economia que estava fragilizada?; veja as frases que mais marcaram o encontro

SÃO PAULO - As farpas trocadas entre o ex-presidente do Banco Central e cotado para assumir o ministério da Fazenda em possível vitória de Aécio Neves (PSDB), Armínio Fraga, e o atual ministro que assumiu o cargo durante o governo Dilma Rousseff (PT), Guido Mantega, não passaram de leves "tapas com luvas de pelica". Abaixo, o InfoMoney separou os sete ataques e contra-ataques que mais marcaram o confronto que ocorreu hoje à noite em programa promovido pela GloboNews. 

Conduzido por Miriam Leitão, o debate ocorreu em clima "ameno". Logo na primeira pergunta, a apresentadora questionou Armínio se a inflação a 6,75%, como está atualmente, era um problema sério para o País. Sem muitas delongas, ele apontou que "claro, não é a hiperinflação do passado, mas que as pessoas sentem e isso expõe cada vez mais o Brasil a riscos". Armínio complementou o pensamento com: o que acontece hoje no Brasil é uma "situação esdrúxula. Vivemos uma política desordenada".

Revidando o ex-presidente do BC, que assumiu o cargo em 1999, Mantega disse que Armínio pegou uma inflação de 9% e entregou o Brasil com pouco mais de 12% em 2002, e citou que este ano a inflação está em 6,75% no acumulado dos últimos 12 meses, mas que não vai terminar o ano desta maneira. "Devemos terminar a 6,4% (o teto da meta da inflação é de 6,5%)". 

Na tréplica, Armínio rebateu dizendo que no início de 1999 as expectativas de inflação eram muito mais elevadas - em torno de 20% a 50% ao ano -, enquanto as de crescimento eram menos de 4%, mas conseguiu finalizar aquele ano com 9% de inflação e 1% de crescimento.    

A onda de pânico de 2002
O ex-BC comentou sobre a crise cambial de 2002, quando o dólar saiu do controle em meio à uma onda de pânico que se instaurou com a iminente entrada de Lula no poder. "A taxa de câmbio que estava em R$ 2,00 foi para R$ 4,00 e ,consequentemente, ocorreu uma enorme pressão inflacionária. O problema era o governo Lula que se aproximava", comentou.

Mantega respondeu dizendo que a situação não ficou assim com a possível perda da eleição pelo PSDB, que acabou se concretizando. "A economia já estava fragilizada. Naquele ano, não tínhamos reservas, a economia brasileira não tinha como pagar seus vencimentos externos. Hoje a situação é diferente. Temos reservas, dívidas menores e uma economia muito mais sólida", rebateu.

É a crise; mas que crise?
Em outro momento, Armínio atacou os argumentos de Mantega para explicar porque o Brasil não cresce. "O problema é quando se inventam uma crise que já acabou há cinco anos e põe nela a culpa de deixar de resolver questões cruciais para o Brasil. O País está crescendo menos do que os outros países da América Latina, que não estão tão bem assim", criticou.

Segundo Mantega, a crise internacional comprometeu o crescimento de todos. "Os europeus estão em franca desaceleração. A China e Índia também estão perdendo força. O mundo está passando por uma crise complicada. Fica difícil crescer muito quando não há comércio e mercado internacional", explicou o ministro. A expectativa é que o Brasil cresça apenas 0,24% este ano, segundo projeção mediana do último Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (6). 

Para o ex-BC, o quadro de crise é mais interno do que externo e vem piorando cada vez mais. É preciso reconhecer que o modelo atual fracassou, disse. "É preciso ter bom senso agora e perceber que hoje em dia não está funcionando. Precisamos corrigir esse quadro, porque o Brasil não é um caso perdido". 

Armínio e Mantega
(Reprodução)

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