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Com apoio de 89% da população, Veneza quer independência da Itália

As autoridades locais deverão escrever uma declaração formal de independência, a ser enviada para o governo

SÃO PAULO - Após um plebiscito onde 89% das pessoas optaram por independência, Veneza deverá se separar da Itália. Um dos principais destinos turísticos do mundo, a cidade e a região do Veneto, querem formar um novo país - que continuará a fazer parte da União Europeia, da Zona do Euro e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). 

Apenas 257 mil pessoas votaram contra a proposta, cerca de 11% dos 2,3 milhões de eleitores. As autoridades locais deverão escrever uma declaração formal de independência, a ser enviada para o governo - que já avisou que entende essa consulta como ilegal, por não ter poder constitucional imediato. 

A ideia é manter os impostos locais ao invés de repassá-los para o governo central de Roma, já que Veneto é mais rico do que a média das regiões italianas. Outras cidades notáveis da região incluem Verona e Vicenza, além de Treviso. No total, a região - no norte da Itália - tem 4,9 milhões de habitantes. 

Nos últimos anos a cidade de Veneza arrecadou € 71 bilhões em impostos mas recebeu investimentos de apenas € 50 bilhões. "Nós não queremos mais ser parte de um país que está contra a parede. Nada funciona mais", disse Nicola Gardin, um dos coordenadores da campanha.

A crise econômica italiana tem sido cruel com Veneza, capital de uma região que, até 1797, foi uma república independente. Somente com as invasões napoleônicas que Veneza perdeu sua autonomia, passando a fazer parte do Império Austríaco e do reino da Itália nas próximas decadas. 

Veneza
(Wikicommons)

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