Dilma, Mantega e Augustin divergem sobre efeitos do corte do IOF no dólar

Com declarações divergentes sobre os rumos do dólar após corte do imposto, moeda norte-americana passa por uma sessão bastante instável

 05 jun, 2013 17h38
Rodrigo Tolotti Umpieres
Dilma, Guido e Augustin
(Reuters/ABr)

SÃO PAULO - Na noite da última terça-feira (4), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou o corte do IOF (Impostos sobre Operações Financeiras) para investidores estrangeiros, anteriormente a taxa era de 6%. Em um primeiro momento, investidores viram neste movimento um sinal de que o governo quer conter a forte alta do dólar comercial nas últimas semanas.

Mesmo com a decisão indicando uma queda no curto prazo em relação às taxas de câmbio, declarações feitar pela presidente Dilma Rousseff, pelo próprio Mantega e pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, levam o dólar a seguir com bastante volatilidade.

Nesta manhã a moeda norte-americana abriu com forte queda, chegando a recuar 2%, mas o movimento não se firmou e a divisa tem uma sessão bastante instável. O dólar opera entre perdas e ganhos durante esta tarde, ficando em um patamar próximo de R$ 2,13.

Mantega: foco no longo prazo
Durante a manhã, Mantega foi peguntado por jornalistas em sua chegada ao ministério se o movimento de abertura já seria efeito do corte do IOF. Oministro afirmou não saber e disse que a medida é para ter efeito no longo prazo e não imediato.

Além disso, ele afirmou que a ideia do corte do IOF é deixar o mercado livre para aplicações em renda fixa como títulos do governo brasileiro. Mantega afirmou que a taxa de 6%, junto com um juros diferente de quando o aumento do IOF foi estabelecido - em outubro de 2010 - levou as aplicações em renda fixa perderem a rentabilidade. Mesmo assim, o ministro ressaltou que não há dificuldades para a venda de título para investidores estrangeiros.

Dilma: Não temos como controlar o dólar
Nesta manhã, a presidente Dilma Rousseff participou do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, mas os jornalistas aproveitaram o encontro para questionar a situação do câmbio. "Nós não temos medida nenhuma para segurar o dólar. Eu queria informar que este País adota o regime de câmbio flexível", afirmou a presidente ao ser perguntada sobre novas medidas para segurar a variação do dólar.

Mesmo Dilma afirmando que não existe medida para segurar o dólar, a equipe de analistas do Bank of America afirma que após a redução do IOF a expectativa é que ocorra queda na taxa do câmbio aqui no Brasil, já que o corte de impostos deve aumentar a oferta de dólares no País.

Augustin: medida tem impacto no curto prazo
Já o discurso do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, seguiu mais próximo da linha defendida por Mantega. Ele afirmou que a medida reduz a volatilidade nos mercados e cria melhor condição de ingresso de recursos de não-residentes na compra dos títulos públicos.

O secretário disse que "a medida que o governo toma tem objetivo reduzir volatilidade e permitir melhor equação para a economia brasileira". Seguindo o que disse o ministro, Augistin entende que medidas como essa não são de curto prazo, mas ressaltou que elas acabam tendo algum impacto em um primeiro momento. "São medidas normais que o governo toma para ajustar os preços e tem a ver com o cenário internacional", complementou Augustin.

Por fim, ele afirmou que não há no momento novas discussões sobre outras medidas para incentivar o ingresso de divisas estrangeiras no país. "Medidas como essa são episódicas. O governo eventualmente as toma e não há outras medidas, e desconheço discussão sobre outras medidas".

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