Datafolha: Bolsonaro lidera corrida eleitoral em cenário sem Lula e 4 disputam o 2º lugar

Já em um cenário com Lula, o ex-presidente manteve vantagem sobre os rivais, com até 37% das intenções de voto

 31 jan, 2018 08h22

Por: Lara Rizério

Marcos Mortari

SÃO PAULO - Uma semana após ter condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro confirmada por unanimidade na segunda instância no caso envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém liderança na corrida eleitoral, com intenções de voto inalteradas. Conforme mostra pesquisa Datafolha, divulgada na manhã desta quarta-feira (31), o líder petista tem entre 34% e 37% da preferência do eleitorado, dependendo do cenário considerado.

O ex-presidente vem seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com taxa entre 16% e 18%. Logo atrás, aparece um bloco de candidatos encabeçado pela ex-senadora Marina Silva (Rede), com a preferência de algo entre 8% e 10% dos eleitores, acompanhada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com 6% ou 7% dos votos. Ciro Gomes (PDT), tem 7% dos votos em todas as situações com Lula em que sua candidatura é considerada, e, juntamente com o tucano, está tecnicamente empatado com nomes como o do senador Álvaro Dias (Podemos), com 3% ou 4%, Joaquim Barbosa (sem partido), com 5% no único em que o ex-ministro do STF é avaliado, e o apresentador de televisão Luciano Huck, com 6% -- também considerado apenas em um dos cenários com Lula na disputa.

A pesquisa indica que Lula mantém força eleitoral mesmo com os episódios negativos recentes. Nas situações de segundo turno em que se nome é considerado, o líder petista continua vencendo todos os adversários: o governador Geraldo Alckmin, por 49% a 30%; a ex-senadora Marina Silva, por 47% a 32%; e o deputado Jair Bolsonaro, por 49% a 32%. Em todos os casos, a oscilação da pontuação de Lula não superou a margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

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Após ter sido condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelos três desembargadores da 8ª turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), diminuíram os recursos disponíveis à defesa de Lula, assim como sua chance de disputar as eleições. Isso porque, com o fim do trâmite do processo em segunda instância, ele já estaria enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Neste caso, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decide se indefere ou não seu pedido de candidatura, a ser registrado até 15 de agosto.

Em um cenário sem Lula na corrida presidencial, quem herda a liderança é o deputado Jair Bolsonaro, o que já vinha sendo indicado nas últimas pesquisas. O ex-capitão aparece em primeiro lugar no principal cenário sem o ex-presidente, com 18% das intenções de voto, superando Marina Silva (Rede), com 13%, Ciro Gomes (PDT), com 10%, Geraldo Alckmin (PSDB) e Luciano Huck (sem partido). O ex-governador e o apresentador de televisão aparecem tecnicamente empatados com 8% das intenções de voto cada, o que reforça a sombra de Huck sobre o tucano, mesmo com as reiteradas negativas do apresentador em participar da disputa.

Apesar de liderar em eventual corrida sem Lula, o deputado federal parou de crescer, oscilando negativamente em todos os quadros apresentados na pesquisa, em comparação com levantamento feito em novembro. Tal movimento também se registra nos cenários de segundo em que Bolsonaro é considerado candidato. Ele seria derrotado tanto por Lula (49% a 32%), quanto pela ex-senadora Marina Silva (42% a 32%). Nos demais cenários de segundo turno considerados, Alckmin aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes, em um placar de 34% a 32%, e com Bolsonaro, em um placar de 35% a 33% -- ambos favoráveis ao tucano.

Mesmo que não liderem a disputa nos cenários que não consideram a candidatura de Lula, a pesquisa mostra que a saída do líder petista hoje impulsiona principalmente os nomes de Marina e Ciro. Na comparação das situações, a porta-voz da Rede passa de 8% para 13%, enquanto o ex-ministro salta de 6% para 10%. Contudo, também fica clara uma pulverização dos votos concentrados por Lula e uma incapacidade de, neste momento, transferência de votos a possíveis candidatos do PT. Um dos principais nomes ventilados no partido, o ex-governador baiano Jaques Wagner, aparece com apenas 2% das intenções de voto na pesquisa. Por outro lado, o percentual dos eleitores que diz que não sabe em quem votar ou que votaria em branco ou nulo sobe de 16% para 26% quando Lula não é candidato.

O Datafolha fez 2.826 entrevistas em 174 municípios entre os dias 29 e 30 de janeiro. A margem de erro máxima prevista é de dois pontos para mais ou menos, considerando um intervalo de confiança de 95%. Isso significa que, se a pesquisa fosse repetida sob as mesmas condições, a chance de os resultados estarem dentro da margem de erro prevista seria de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR 05351/2018.

O levantamento anterior
Na última pesquisa, realizada entre os dias 29 e 30 de novembro, as intenções de voto de Lula oscilavam entre 34% e 37%, dependendo do cenário de primeiro turno avaliado. Na sequência, aparecia Jair Bolsonaro, com algo entre 17% e 19% dos votos, seguido por Marina Silva, com uma taxa de 9% a 11%. Alckmin, por sua vez, aparecia com uma marca de 6% a 9%.

Nos cenários sem o ex-presidente, era Bolsonaro que se destacava, com um percentual de intenções de voto entre 21% e 22%, acompanhado por Marina Silva, com uma taxa de 16% a 17%, em empate técnico com Ciro Gomes, que teria entre 12% e 13%, dependendo dos adversários considerados.

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