Em mercados

Surpresa no Copom: BC foi cauteloso e deve fazer dólar abrir em queda amanhã, dizem analistas

Apesar da grande surpresa da decisão, analistas viram como justificável o movimento do Banco Central

Ilan Goldfajn
( José Cruz/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O Copom (Comitê de Política Monetária) pegou o mercado de surpresa nesta quarta-feira (16) ao manter a Selic em 6,50% ao ano, mas apesar do inesperado, analistas apontam que o Banco Central fez um movimento prudente e justificável, e que tende a ser bem aceito pelo mercado.

Em teleconferência, o economista-chefe do Santander, Maurício Molon, afirmou que a ação da autoridade monetária visou não adicionar mais volatilidade em um mercado já agitado. Segundo ele, a decisão pode ter um efeito de proteção do câmbio e a reação inicial pode ser uma queda do dólar nesta quinta-feira (17). A ideia, para ele, foi o BC conter a volatilidade para não abalar a confiança do mercado.

No comunicado da decisão, o BC disse que "entende que essa decisão reflete a mudança recente no balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e, em maior grau, de 2019".

Já para o economista Luiz Fernando Castelli, da GO Associados, a decisão de manter a Selic foi claramente decorrente da mudança do ambiente externo. "Sai o então interregno benigno e entra o cenário desafiador", afirma. Para ele, chamou atenção a manutenção das projeções de inflação abaixo do centro da meta (4,0% para 2018 e 2019, considerando Selic a 6,5% e dólar a R$ 3,60) e o reconhecimento do BC de que a atividade mostrou arrefecimento, apesar da recuperação continuar consistente.

"Tal cenário mostra um certo conservadorismo por parte do BC, pois reconhece atividade mais fraca, inflação baixa e projeções de inflação ainda abaixo do centro da meta", explica Castelli. Para ele, o futuro dos juros dependerá do exterior: se o cenário continuar nebuloso, o Copom manterá a Selic estável, mas se cenário externo virar, o que é pouco provável por enquanto, o BC terá espaço para novo corte de juros.

Este cenário futuro já foi indicado pelo Copom, que no comunicado afirmou ver como "adequada" a manutenção dos juros nas próximas reuniões. Por outro lado, o BC deixou aberto o cenário de médio e longo prazo, dizendo que "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação".

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