Em mercados

O jogador de futebol que atuou como Banco Central e "salvou" a economia do seu país

Além de trabalhar para resolver os problemas econômicos, Mohamed Salah também levou o Egito para a Copa do Mundo após 28 anos

Mohamed Salah
(Reprodução)

SÃO PAULO - Quem gosta de futebol sabe a emoção quando seu time faz um gol para a vitória no último lance da partida, ainda mais se for a seleção do seu país, que ainda garante uma vaga na Copa do Mundo após 28 anos por causa deste lance. Agora imagine como fica o jogador responsável por este gol. Este é o papel de Mohamed Salah para o Egito. Mas o que tudo isso tem a ver com economia?

Enquanto grandes nomes do futebol mundial são conhecidos por gastarem suas fortunas em mansões, carros luxuosos, viagens e festas, Salah, que é atacante do Liverpool da Inglaterra, é famoso não só por levar seu país à Copa do Mundo de 2018, mas por fazer de tudo para salvar sua nação da crise, inclusive fazendo o papel de Banco Central.

O Egito passa por uma dura crise econômica que teve início com a Revolução de 2011, quando centenas de milhares de egípcios tomaram as ruas em protesto, levando à queda do então presidente Hosni Mubarak. Desde então, o país tem trocado de liderança, com disputas políticas que tem complicado cada vez mais a situação econômica.

Todos estes problemas levaram também a uma forte crise monetária. Na ocasião, a moeda local, a libra egípcia, estava perdendo muito valor, chegando à cotação de 9 libras para cada dólar. Com suas reservas cambiais cada vez mais baixas por conta da crise, o Egito pediu ajuda para conseguir sustentar sua moeda e evitar um colapso, e aí surge Salah, que fez uma doação de 210 mil libras para salvar a situação.

Apesar do valor não ser tão alto para os padrões de grandes economias, foi o suficiente para acalmar a situação na época. A ajuda do jogador do Liverpool na ocasião serviu (guardada as devidas proporções) com o mesmo papel que a atuação de um Banco Central quando trabalha com a chamada reserva cambial.

Basicamente, estas reservas de valor são recursos que o país tem em moeda estrangeira, podendo ser em notas, ouro ou, como no caso do Brasil, investimento em títulos seguros para conseguir uma rentabilidade com isso. São estas reservas que ajudam a gerar confiança e garantir o valor da moeda local de cada país.

Com estes valores em "estoque", um país consegue se proteger melhor, mostrando que tem capacidade de honrar com suas dívidas, além de trazer segurança ao investidor e também diminui exatamente o risco de um choque no câmbio, já que o Banco Central tem uma "arma" para conseguir atuar na economia e controlar a situação, comprando e vendendo dólares (ou outras moedas). E foi neste ponto que Salah ajudou bastante seu país.

Em 2016, para ajudar na situação, o Afreximbank (African Export-Import Bank) fez um acordo de US$ 500 milhões com o Banco Central do Egito para ajudar os importadores egípcios durante a crise da moeda. Isso com certeza ajudou muito mais o país a se segurar na crise, mas o princípio por trás do acordo foi o mesmo do feito jogador, com a diferença de ser um empréstimo, enquanto Salah fez uma doação.

A história do jogador egípcio já foi tema para diversas matérias ao redor do mundo. Com uma forte visão política, Salah faz tudo o que pode para ajudar seu povo: ele está construindo uma escola em seu vilarejo-natal e banca o serviço de ambulância, além de várias unidades de incubação hospitalar. Em sua instituição de caridade, ele distribui roupas e alimentos às pessoas carentes, sobretudo no Ramadã.

Uma matéria publicada no fim de 2017 no jornal britânico The Times mostra muito de quem ele é, de sua trajetória de vitórias pelos times que passou, do sucesso na seleção e de como, no meio de tanto luxo e dinheiro disputando o campeonato inglês, ele nunca deixou de olhar para os problemas e dificuldades do Egito.

Contato