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Intervenção militar pode ser a única alternativa para a Venezuela, diz professor de Harvard

Ricardo Hausman, que também já foi ministro do Planejamento da Venezuela, destacou em artigo ao Project Syndicate difícil situação do país

Nicolás Maduro I
(Reuters)

SÃO PAULO - Em artigo ao Project Syndicate na última terça-feira (2), o ex-ministro do Planejamento da Venezuela Ricardo Hausman, atualmente diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard, defendeu uma solução drástica para o seu país: uma intervenção militar estrangeira.

"Uma transição política negociada continua sendo a opção preferida, mas a intervenção militar por uma coalizão de forças regionais talvez seja o único meio de pôr fim à penúria causada pelo homem que ameaça a vida de milhões de venezuelanos", aponta Hausman, que já foi economista-chefe do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Ele aponta que a crise no país se move de forma impiedosa do catastrófico para o inimaginável: "o nível de pobreza, sofrimento humano e destruição chegou a um ponto em que a comunidade internacional deve repensar como pode ajudar", avalia. Além da forte queda do poder de compra do salário mínimo, Hausman aponta que as condições de saúde também pioraram com as deficiências nutricionais e à decisão do governo de não fornecer preparado lácteo para bebês, vacinas comuns contra doenças infecciosas, remédios para pacientes soropositivos, transplantados, com câncer e que fazem hemodiálise, além de suprimentos gerais para hospitais.

Hausman também aponta que, desde 1 de agosto, o preço do dólar ganhou mais um zero e a inflação superou 50% ao mês em setembro.

Enquanto isso, ao invés de tomar medidas para pôr fim à crise humanitária, o governo a está usando para reforçar seu controle político, afirma Hausman. "Recusando ofertas de ajuda, ele gasta seus recursos em sistemas militares de controle de multidões, fabricados pela China, para conter os protestos".

Neste sentido, o professor aponta que muitos observadores acreditam que, com a piora da economia, o governo perderá poder - mas não é essa a sua avaliação. "A oposição política organizada está mais fraca do que estava em julho, apesar do maciço apoio diplomático internacional", afirma. Ele não acredita no melhor cenário, de eleições justas e livres, considerado o "plano A" da oposição venezuelana. "É um desafio à credulidade pensar que um regime que se dispõe a matar de fome milhões de pessoas para continuar no poder o entregará em eleições livres".  

Assim, Hausman avalia que a opção que resta é da intervenção militar internacional, solução esta que assusta a maioria dos governos da América Latina por conta do histórico de atos agressivos contra seus interesses soberanos, especialmente no México e na América Central. "Contudo, talvez essas sejam as analogias históricas erradas. Afinal, Simón Bolívar ganhou o título de libertador da Venezuela graças à invasão em 1814 organizada e financiada pela vizinha Nova Granada (atual Colômbia). França, Bélgica e Holanda não conseguiram se libertar do regime opressivo entre 1940 e 1944 sem a ação militar internacional", aponta.

Para Hausman, uma implosão no país não é do interesse da maioria dos países. "E as condições lá constituem um crime contra a humanidade que deve ser detido por razões morais (...) Quantas vidas devem ser destruídas antes que chegue a salvação?", conclui o professor. 

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