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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Confira os assuntos que agitarão os mercados nesta sessão

SÃO PAULO - Após a forte queda na véspera repercutindo a pesquisa Ibope mostrando Lula na frente e a aversão ao risco com EUA, o mercado brasileiro digere a ata do Copom, nova pesquisa mostrando Lula na frente, além das medidas do governo Michel Temer para o ajuste fiscal. Confira os destaques: 

1. Bolsas mundiais
As bolsas europeias e S&P futuro registram leves altas e dólar alterna leves baixas e altas contra maioria das moedas, com o mercado monitorando indicadores e avanço da reforma tributária de Donald Trump, enquanto espera da reunião do Fed amanhã. Na véspera, o dia foi de aversão ao risco, após o mercado ser pego de surpresa com rumores sobre um plano gradual de 5 anos para corte de impostos corporativos nos Estados Unidos. 

Já as bolsas asiáticas encerraram a terça-feira majoritariamente em alta. Na China, o dia foi de recuperação, em meio à estabilização do mercado de bônus, que ontem havia sofrido uma nova onda de liquidação, e a volta de rumores sobre a possível construção em Xangai de um porto destinado ao livre comércio. 

Como resultado, ficaram em segundo plano dados oficiais mostrando que a atividade industrial da China se expandiram em ritmo mais fraco neste mês. O PMI da indústria chinesa caiu de 52,4 em setembro para 51,6 em outubro, enquanto os analistas de mercado esperavam 51,8 no período. Em Tóquio, o índice Nikkei fechou estável, apagando perdas que chegaram a 0,8% durante o pregão, depois do Banco Central do Japão decidir manter seus estímulos monetários inalterados.

No mercado de commodities, o petróleo caminha para 2º mês seguido de alta refletindo sinais de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) estenderá cortes de produção. Já a maioria dos metais sobe em Londres, enquanto a expectativa é de que o níquel possa ter boom com carros elétricos.

Às 8h20 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,13%

*FTSE (Reino Unido) +0,32%

*FTSE MIB +0,17%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,32% (fechado)

*Xangai (China) +0,12% (fechado)

*Nikkei (Japão) 0% (fechado)

*Petróleo WTI -0,02%, a US$ 54,14 o barril

*Petróleo brent -0,15%, a US$ 60,85 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian 0%, a 428 iuanes

2. Agenda econômica
No Brasil, atenção especial para a Ata da última reunião do Copom, que cortou os juros em 75 pontos-base, a 7,5% ao ano. O Banco Central não deu pistas sobre suas decisões futuras em relação aos juros no ano que vem, mantendo o cenário aberto para agir conforme o panorama do momento.

A ata destacou ainda que as reformas são fundamentais para inflação baixa e estável. “Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente
com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia, com amplos benefícios para a sociedade", aponta o documento. 

 Além disso, estará em destaque a PNAD Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), com os números de taxa de desemprego. 

Nos EUA, às 10h30, será revelado o índice de custo do emprego, de preços residenciais às 11h, o Chicago PMI às 11h45 e de confiança do consumidor às 12h. Às 23h45, o PMI Industrial da China será divulgado pelo Caixin.  

3. Noticiário político
A exemplo do Ibope, nova pesquisa DataPoder360 mostrou, um ano antes da eleição, a consolidação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do deputado federal Jair Bolsonaro na frente da disputa para a corrida presidencial de 2018. Dependendo do cenário traçado, Lula pontua de 28% a 32%, enquanto Bolsonaro registra de 20% a 25% das intenções de voto - clique aqui para saber mais sobre o levantamento

Enquanto 2018 não chega, o noticiário sobre as dificuldades políticas do governo Michel Temer seguem sendo destaque. Segundo informações da Bloomberg, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, busca se distanciar do peemedebista para construir uma imagem positiva e que deixe um legado no cargo. O movimento de Maia é visto com naturalidade pelos aliados de Temer, de acordo com fontes ouvidas pela agência. 

Enquanto isso, partidos do chamado Centrão deram ultimato ao governo de Michel Temer, segundo informa o blog de Gerson Camarotti, do G1: eles afirmaram que não vão aceitar o adiamento da reforma ministerial para março ou abril de 2018. Interlocutores de Temer foram advertidos de que, se isso acontecer, o presidente terá perdido a última chance de aprovar uma versão reduzida da reforma da Previdência e ainda corre o risco de ser derrotado na votação das medidas provisórias do ajuste fiscal, aponta o jornalista.

4. Orçamento de 2018
Falando sobre medidas provisórias, o governo apresentou ontem a nova versão do Orçamento de 2018 e encaminhou, dois meses após o anúncio, as Medidas Provisórias que vão garantir R$ 12,6 bilhões extras no ano que vem com aumento de arrecadação e corte de despesas.

Para aumentar a receita em 2018, o governo elevou a alíquota previdenciária dos servidores federais de 11% para 14% e adiou o reajuste deles para 2019. A contribuição sobre o salário até o teto do INSS (R$ 5.531,31) continua em 11%. Os servidores que ganham mais pagarão os 14% sobre a parcela que excede o teto. A contribuição dos trabalhadores do setor privado continua de 8% a 11%.  Também com o objetivo de ampliar a receita o governo vai taxar fundos de investimento exclusivos fechados, para clientes de alta renda. Hoje, esse tipo de investimento só paga imposto no resgate, mas passará a ser tributado anualmente.

O envio das MPs, que têm vigência imediata, estiveram no centro de um impasse entre a equipe econômica, o Palácio do Planalto e Rodrigo Maia, que reclamou recentemente do excesso de MPs enviadas por Temer e ameaçou devolver novas propostas.

Vale destacar ainda que a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado recebe o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para reunião sobre retorno do país ao mapa da fome às 10h. Ontem, em evento do Lide, o ministro afirmou que a simplificação tributária pode ser aprovada neste governo e, em meio a especulações de que seria cotado para vice de Luciano Huck, Meirelles riu e repetiu que se sente honrado em ser lembrado. Meirelles afirmou que ser vice pode ser "interessante", mas depois disse se tratar de uma "brincadeira". 

5. Noticiário corporativo
Mais uma vez, o noticiário tem como destaque a intensa temporada de balanços. O Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,25 bilhões no terceiro trimestre deste ano, superando em 1,1% as expectativas compiladas pela Bloomberg, que apontavam lucro de R$ 6,18 bilhões. O resultado ficou 11,7% acima dos R$ 5,60 bilhões registrados um ano antes. A Multiplan, dona de 18 shopping centers no País, teve lucro líquido de R$ 75,552 milhões no terceiro trimestre de 2017. A Cielo anunciou que teve lucro líquido de R$ 1,017 bilhão no terceiro trimestre, alta de 0,8% ante o mesmo período do ano passado. 

Por fim, no InfoTrade, destaque para o Ibovespa, que pode reverter sua tendência de alta de curtíssimo prazo caso confirme a perda da média móvel de 50 dias no último pregão do mês - confira a análise completa.

(Com Bloomberg, Agência Estado e Agência Brasil) 

Henrique Meirelles
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

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