Em mercados

Ibovespa sobe com disparada das commodities e inflação fraca nos EUA

No radar do mercado, as atenções se voltam para os dados de inflação nos EUA e o alerta dado pela agência de classificação de risco S&P para um possível downgrade do Brasil

SÃO PAULO - Após um dia sem operações na B3 por conta de feriado nacional na véspera, o Ibovespa opera em leve alta nesta sexta-feira (13), repercutindo a disparada das commodities no mercado internacional, após a balança comercial chinesa animar os investidores, e o resultado de inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos -- o que pode diminuir o apetite do Federal Reserve em seu ciclo de elevação nos juros locais. Às 12h01 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 0,20%, a 76.816 pontos, após chegar a subir com maior intensidade no começo do dia.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 caíam 1 ponto-base, a 7,39%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuavam 3 pontos, a 8,92%. Já os contratos de dólar futuro com vencimento em novembro deste ano caíam 0,50%, sinalizando cotação de R$ 3,164. O dólar comercial recuava 0,42% ante o real, cotado a R$ 3,1567 na venda.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Destaques da Bolsa
A sessão é de fortes ganhos para a Vale (VALE3; VALE5), em um dia de disparada para o minério de ferro. Os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian tiveram ganhos de 5,07%, a 456 iuanes, enquanto o minério à vista negociado em Qingdao fechou com ganhos de 4,06%, a US$ 62,53 a tonelada. A commodity é beneficiada por números em geral positivos da balança comercial da China. Acompanham o movimento da mineradora as ações do setor siderúrgico, com destaque para os papéis de CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4).

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 10,08 +4,46 -7,10 15,33M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,12 +4,33 +146,83 38,15M
 VALE3 VALE ON 32,39 +4,15 +39,28 199,72M
 BRAP4 BRADESPAR PN 24,26 +4,03 +67,40 7,11M
 GGBR4 GERDAU PN 11,38 +3,27 +5,56 12,18M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 LAME4 LOJAS AMERICPN 19,20 -3,32 +13,11 20,62M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 19,81 -2,84 +43,25 14,31M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 30,31 -2,67 +95,17 5,77M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 79,33 -1,88 +44,90 6,76M
 FIBR3 FIBRIA ON 49,67 -1,72 +59,58 19,70M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Inflação nos EUA
O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos cresceu 0,50% em setembro na comparação mensal, conforme aponta o departamento de estatística trabalhista do país. O resultado veio levemente abaixo da mediana das estimativas dos economistas consultados pela Bloomberg, que apontava para alta de 0,6%. O CPI anterior havia mostrado crescimento de 0,4%.

A inflação veio abaixo do esperado em setembro mesmo com a disparada nos preços de energia, provocada pelos efeitos do furacão Harvey. Segundo o departamento de trabalho norte-americano, o desempenho dos outros itens, excluindo alimentos e combustíveis, foi abaixo do esperado pelos analistas.

O indicador era considerado o mais importante a ser divulgado na semana, uma vez que funciona como balizador das decisões de política monetária do Federal Reserve. O mercado tem tentado decifrar qual será o ritmo de alta dos juros na maior economia do mundo, o que provoca movimentações nos mercados globais, sendo determinante para os fluxos de capitais.

Agenda de indicadores
Após os dados de inflação, atenção ainda para os discursos de dirigentes do Federal Reserve: Charles Evans (Chicago) às 11h25, Robert Kaplan (Dallas) às 12h30 e Jerome Powell (diretor da autoridade monetária) às 14h.

Ainda na maior economia do mundo, o mercado acompanha o noticiário político. O presidente dos EUA, Donald Trump, fará anúncio às 12h45 a sua decisão sobre o histórico pacto nuclear multilateral assinado com o Irã em 2015 e a nova estratégia para se relacionar com o país, informou a Casa Branca na tarde desta quinta. Além disso, destaque para a notícia do "The Wall Street Journal" de que o presidente americano entrevistou hoje o economista da Universidade Stanford John Taylor para discutir a sua potencial nomeação para a presidência do Federal Reserve, segundo informou uma fonte da Casa Branca ao jornal.

Reforma da Previdência e S&P
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s se juntou à Moody's e emitiu um alerta de que a nota soberana do Brasil pode ser rebaixada caso a reforma da previdência não seja aprovada em tempo hábil para “dar algum respiro” ao próximo governo, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. Na área econômica do governo Michel Temer, a advertência da S&P foi recebida como um reforço à mensagem de que a aprovação da proposta é essencial, destaca o jornal. A agência foi a primeira a tirar o grau de investimento do Brasil em setembro de 2015. Em agosto, a agência reafirmou a nota de crédito do País em BB, dois patamares abaixo do grau de investimento e manteve a perspectiva negativa.

Vale destacar que, na semana passada, os jornais noticiaram que o governo segue em busca da aprovação de uma reforma mais enxuta. A reforma deveria se concentrar em três mudanças: idade mínima de aposentadoria, tempo mínimo de contribuição e uma regra de transição para quem já contribui hoje com a Previdência.

Ontem, em Washington, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o governo espera votar a Previdência até o final de outubro ou início de novembro. Ele ainda afirmou que o potencial de crescimento do PIB do País, "num horizonte de três a quatro anos" é de 4%, com a adoção de reformas econômicas que permitirão um aumento do nível de atividade, consumo e investimentos. Hoje, Meirelles participa de eventos nos EUA, incluindo café de manhã de trabalho com ministros de Finanças da Argentina, Chile, Espanha e México para discutir a presidência argentina do G20 e continuação do encontro dos ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G20. 

Desempenho dos ADRs no feriado
Na véspera, em dia de bolsa fechada no Brasil,  o índice Brazil Titans 20, que reúne os principais ADRs (American Depositary Receipt) de empresas nacionais negociados em Wall Street, fechou em leve baixa de 0,36%, a 23.797 pontos, em linha com o desempenho das principais bolsas mundiais e entre alta de Vale e siderúrgicas e queda de bancos e Petrobras.

Confira o desempenho dos ADRs durante o feriado no Brasil: 

Empresa ADR Variação Preço
CSN SID +0,67% US$ 3,00
Bradesco BBD -1,03% US$ 11,50
Santander BSBR -0,53% US$ 9,31
Itaú Unibanco ITUB -0,99% US$ 14,04
BRF BRFS -0,07% US$ 14,72
Ultrapar UGP +0,41% US$ 24,37
Sabesp SBS -0,47% US$ 10,50
Pão de Açúcar CBD -1,14% US$ 25,10
Gafisa GFA -2,21% US$ 8,86
Fibria FBR +0,06% US$ 15,90
Copel ELP -0,33% US$ 9,15
Ambev ABEV 0% US$ 6,79
Telefônica Brasil VIV -0,62% US$ 16,15
TIM Participações TSU +0,32% US$ 18,79
Embraer ERJ -0,45% US$ 22,29
Cemig CIG -1,54% US$ 2,55
Petrobras PBR.A -0,49% US$ 10,10
Vale VALE +0,72% US$ 9,86
Petrobras PBR -0,86% US$ 10,40
Gerdau GGB +0,88% US$ 3,44

 (Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

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