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Susto no mercado: dólar dispara 1,2% em 5 minutos e analistas levantam três teorias

Mercado parecia ter uma sessão de alívio nesta sexta, mas no fechamento dólar e DIs tiveram uma forte reversão de movimento

SÃO PAULO - O pregão desta sexta-feira (11) parecia que seria de tranquilidade, com o mercado dando uma trégua nos últimos três dias de grande tensão. Mas parece que os investidores não esqueceram os perigos e um forte movimento de aversão atingiu em cheio o dólar e os juros futuros no fechamento da bolsa.

O dólar comercial já havia dado uma sinalização ao fechar estável após passar a tarde com queda de cerca de 0,5%. Mas o susto feio no mercado futuro, com o dólar com vencimento em setembro disparando 1,22% em apenas cinco minutos, saindo de R$ 3,192 para R$ 3,231. Alguns minutos, porém, a moeda voltou um pouco o movimento, mas ainda registrava ganhos de 0,50%, a R$ 3,204.

Enquanto isso, os DIs fizeram um movimento parecido. O contrato com vencimento em janeiro de 2019 saltou 7 pontos-base também em apenas cinco minutos, chegando a 8,15%. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2021 avançou 11 pontos, chegando a 9,52%, voltando para 9,45% após alguns minutos.

Ainda não há uma explicação concreta sobre o movimento, mas analistas ressaltam que os investidores estão evitando ficar posicionados por longos períodos, como o fim de semana, diante dos riscos geopolíticos da disputa entre Estados Unidos e Coreia do Norte.

Outras explicação dada por especialistas é sobre o risco da mudança da meta fiscal levar a um possível corte de rating do País. "Aparentemente, os investidores não querem passar o final de semana posicionado com apreensão mais forte sobre o que a equipe econômica vai anunciar segunda", explica Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset. Além disso, analistas comentam o medo de uma revisão da nota do Brasil pela Moody's, que tem alterado alguns ratings nos últimos dias.

Por fim, uma notícia no fim do dia também pegou o mercado de surpresa e colocou em risco a aprovação da TLP. Lindbergh Farias, presidente da comissão que estuda a proposta convocou a sessão de leitura do relatório apenas para quarta-feira, que até então era esperada para terça. Com isso, ele atrasa o cronograma do governo em praticamente uma semana, já que é preciso seguir um prazo regimental antes de votar a pauta.

A proposta da TLP irá caducar em 7 de setembro e o governo corre contra o tempo para conseguir aprovar o texto. Com sérias dificuldades para passar as reformas no Congresso, uma derrota neste projeto poderá pesar ainda mais para Temer e para o mercado.

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