Em mercados

Dados operacionais "enchem os olhos" dos analistas e empresa é elevada para compra

Por outro lado, seu par em bolsa decepcionou o mercado no segundo trimestre

Dinheiro homem feliz lucro
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Foi iniciado na última quinta-feira (13) a divulgação das prévias do segundo trimestre por parte das construtoras listadas em bolsa, com uma surpresa bastante positiva por parte de MRV (MRVE3) e dados nada animadores publicados pela Eztec (EZTC3). Em resposta ao otimismo, as ações da construtura sobem 3,58% às 13h56 (horário de Brasília), cotadas a R$ 13,88.

Entre abril e junho, os lançamentos da MRV atingiram R$ 1,3 bilhão em VGV (Valor Geral de Vendas), alta de 18,6% em relação aos mesmos meses do ano passado e um recorde para a construtora em um segundo trimestre, devido ao bom desempenho dos lançamentos nas maiores regiões metropolitanas do Brasil, destacaram os analistas do BTG Pactual em relatório, que não pouparam elogios.

Outro resultado que foi comemorado pelo banco de investimento foi o crescimento de 12% frente ao segundo trimestre de 2016 das vendas líquidas, que, entre os meses de 2017, somaram R$ 1,17 bilhão, resultado de vendas brutas fortes e uma "bem-vinda" redução do nível de distratos - desistência por parte do comprador -, que recuou 9% frente ao mesmo período do ano passado.

Devido ao bom desempenho operacional, a geração de caixa da empresa, vital para a saúde financeira das construtoras e principal preocupação do mercado, totalizou R$ 105 milhões, acima dos R$ 70 milhões e R$ 75 milhões projetados por BTG e Credit Suisse, respectivamente. O único ponto negativo da prévia, segundo os analistas do BTG, foi a desaceleração da produção - 8.879 unidades, mesmo resultado do ano passado - o que pode frear um crescimento ainda mais forte da receita no segundo trimestre.

É compra!
"Os números operacionais do segundo trimestre foram sólidos, reforçando a nossa visão de que a demanda pelo segmento de baixa renda permanece resiliente e que MRV é o melhor player para navegar neste bom momentum", destacaram os analistas do BTG, que reforçaram a recomendação de compra para as ações da construtora na expectativa de que o mercado "coloque na conta" os fortes números operacionais e os investidores percebam o desconto dos múltiplos.

Na mesma linha, os analistas do Citibank enviaram relatório e elevaram a recomendação para os papéis da MRV para compra, a fim de aproveitar a queda recente das ações e pelo sólido resultado operacional apresentado. De acordo com o banco norte-americano, a empresa sofreu muito menos que seu pares em vista da sua maior exposição ao setor de baixa renda, com maior disponibilidade de crédito e grande demanda reprimida.

Segundo os analistas, a construtora demonstra uma recuperação gradual e contínua, fatores que motivaram a elevação do preço-alvo para 12 meses de R$ 13,40 para 16,60, o que representa um potencial de valorização de 24% frente ao fechamento da última quinta-feira (13).

Nem tudo foi otimismo
Se os números da MRV foram comemorados, os dados operacionais da Eztec não foram bem recebidos pelos analistas. Por conta do alto número de cancelamentos, que somaram R$ 109 milhões no período, e a queda de 25% da vendas brutas na passagem anual, que atingiram R$ 149 milhões, as vendas líquidas totalizaram somente R$ 40 milhões no segundo trimestre de 2017, valor 69% abaixo da expectativa do Citibank.

No período, a empresa lançou apenas um empreendimento (Legittimo Vila Romana) que totalizou R$ 49,5 milhões em VGV, número 48% aquém do esperado pelos analistas do banco norte-americano. Em suma, o resultado pode ser classificado como fraco, avalia o BTG, que não descarta uma redução de estimativas em vista da recuperação lenta dos lançamentos e vendas da Eztec. E fazem um alerta: neste nível de preço, as ações não estão mais atrativas para compra.

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