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As 5 formas como a Coreia do Norte financia sua produção de armas nucleares

Entre ajuda do comércio com a China e trabalho escravo no exterior, o país tem conseguido muito dinheiro para criar seu arsenal

SÃO PAULO - Não é novidade nenhuma que a Coreia do Norte mantém um arsenal nuclear, mas o difícil saber é qual a força deste armamento e em que nível estão os estudos do país nesta área. Mas nos últimos dias a tensão aumentou sobre essa disputa bélica e muitas pessoas se perguntam como a Coreia, com um governo tão fechado, consegue financiar estas pesquisas.

O poder econômico do país é pequeno - o Banco Central da Coréia do Sul estima que seu vizinho teve um rendimento nacional bruto em 2015 de 34,5 trilhões de won sul-coreanos (US$ 30 bilhões), apenas 2,2% do registrado pela da Coréia do Sul. Porém, cerca de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) da Coreia do Norte é usado em armas.

"Este é basicamente um ditador brutal que realmente não põe muito dinheiro na segurança, na saúde, na educação de seu povo, e não me surpreenderia que ele usasse recursos em armas nucleares que eu espero que nunca serão usadas", disse Sharon Squassoni, diretor do Programa de Prevenção de Proliferação do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, à CNBC.

Confira cinco fontes de financiamento da Coréia do Norte para seu arsenal nuclear:

1) China
Cerca de 75% do comércio da Coreia do Norte acontece com a vizinha China, de acordo com a Agência Central de Inteligência dos EUA. "A China tem enorme poder de influência na estabilidade na Coreia do Norte, mas a maior parte disso eles sentem que não podem usar por causa das consequências adversas para os interesses da China na Coreia do Norte", disse Scott Snyder, diretor do Programa sobre Política EUA-Coreia no Conselho da Relações Estrangeiras, para a CNBC.

Pequim tem a capacidade de desligar o fornecimento de alimentos e energia para a Coreia do Norte, reforçou ele. Por outro lado, um colapso na Coreia do Norte provavelmente enviaria refugiados inundando a fronteira para a região já economicamente fraca do nordeste da China, uma situação que Pequim quer evitar.

2) Trabalho escravo no exterior
Trabalhadores norte-coreanos na China e na Rússia dão a Pyongyang o dinheiro tão necessário, diz Robert Manning, membro sênior do Conselho Atlântico. Outras exportações, como carvão e minerais, também trazem moeda forte, na forma de yuan chinês, dólares e euros. "Acho que muitos destes combustíveis suas empresas de mísseis nucleares", disse ele.

O ditador norte-coreano Kim Jong Un também pode usar esses fundos para comprar o apoio de outros líderes na Coreia do Norte, disse Manning. "Se pudermos tirar sua moeda forte, seu dinheiro, acho que vai criar uma nova dinâmica política na Coreia do Norte. Ele não pode comprar as elites políticas", afirmou.

3) Vendas de armas
"A economia norte-coreana está basicamente sendo administrada por seus negócios de armas", disse Anwita Basu, analista-chefe da The Economist Intelligence Unit para a Indonésia, Filipinas e Coreia do Norte. Ela apontou também para os negócios de exportação que a Coreia fez com os países africanos.

A Coreia do Norte "continua a negociar armas e material relacionado, explorando mercados e serviços de compras na Ásia, África e Oriente Médio", disse um relatório de fevereiro do Painel de Peritos do Conselho de Segurança da ONU. O relatório acrescentou que a Coreia do Norte usa suas empresas de construção na África para construir armas e instalações de segurança.

4) Drogas
A Coreia do Norte tem "uma grande indústria de drogas ilícitas", disse Manning, do Conselho Atlântico. "Vi amostras de Viagra pirateado pela Coreia do Norte que parece muito autêntico, e tem sido uma fonte significativa de dinheiro".

5) Cibercrime
A Coreia do Norte estava por trás de um roubo de US$ 81 milhões de fundos da conta de Bangladesh Federal Reserve de Nova York no ano passado. Os promotores acreditam que os intermediários chineses ajudaram o país com o roubo, disse o Wall Street Journal, citando pessoas familiarizadas com o assunto. Algumas empresas financeiras chinesas também parecem servir como canais de fundos para a Coréia do Norte.

Coreia do Norte
(Bloomberg)

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