Por Lara Rizério Mário Braga Em mercados  16 fev, 2017 08h08 - Atualizada em 09h37

As 8 ações para monitorar no início do pregão

As principais informações que você precisa saber para operar bem no pregão desta quinta (15)

Por Lara Rizério Mário Braga Em mercados  16 fev, 2017 09h37

SÃO PAULO - O Ibovespa teve uma sessão de euforia na véspera, chegando a bater os 68 mil pontos, com o otimismo externo e também com as perspectivas positivas para as reformas estruturais por aqui. Contudo, esse cenário de ânimo pode ser testado em meio à pausa no rali dos mercados mundiais. Por aqui, atenção para importantes dados da economia e para as falas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, além da temporada de balanços. Veja as ações para monitorar e os eventos a que se atentar nesta quinta-feira (16): 

1. Ações para monitorar
Banco do Brasil (BBAS3): O banco teve lucro líquido de R$ 963 milhões no quarto trimestre de 2016, queda de 61,6% ante mesmo período de 2015. Na base ajustada, o lucro do maior banco do país em ativos somou R$ 1,747 bilhão no período, recuo de 34% na comparação com um ano antes. O dado exclui o impacto das despesas não recorrentes de R$ 1,401 bilhão com o plano de aposentadorias incentivadas lançado pela instituição. O número decepcionou as estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam lucro de R$ 1,94 bilhão na média. 
Cetip (CTIP3): A 
maior depositária de ativos privados da América Latina anunciou nesta quarta-feira lucro líquido de R$ 150,5 milhões no quarto trimestre, alta de 17,6% sobre um ano antes. A empresa, que em abril passado anunciou união das operações com a BM&FBovespa, teve o resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) 16,5% maior na comparação anual, de R$ 232,4 milhões. Conforme destaca o Bradesco BBI, a Cetip teve resultados robustos, apoiando a visão de que a companhia deva ser uma das principais beneficiárias da aceleração do mercado de capitais. 
Smiles (SMLE3): A administradora de programas de fidelidade Smiles, teve um salto de 44% no lucro do quarto trimestre, resultado apoiado no forte aumento do acúmulo e resgates de milhas, além do controle das despesas. Controlada pela Gol e segunda maior empresa do setor no país, com 12 milhões de clientes, a Smiles anunciou nesta quarta-feira que seu lucro líquido de outubro a dezembro somou R$ 161,6 milhões. Em relatório, o BTG Pactual destacou que os números foram novamente robustos, com destaque para a alta do lucro líquido da companhia, A recomendação do banco segue de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 65,00. 
CVC Brasil (CVCB3): A CVC registrou lucro líquido ajustado no quarto trimestre de 2016 de R$ 72,3 milhões, com leve queda de 1,80% frente os R$ 71 milhões do mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida somou R$ 292,1 milhões, ante R$ 283,3 milhões na base de comparação anual. De acordo com o BTG, o forte desempenho de vendas reforça a visão positiva sobre a companhia, que segue top pick do banco apesar da alta recente dos ativos. 
CPFL (CPFE3): A chinesa State Grid informou que vai fechar o capital de sua controlada CPFL Energia e retirar as ações da empresa de circulação do segmento da BM&FBovespa denominado Novo Mercado, além de cancelar o registro de companhia aberta da elétrica nos Estados Unidos, segundo comunicado da CPFL nesta quinta-feira. Os chineses, que recentemente compraram o controle da CPFL em uma transação bilionária, farão uma oferta pública para comprar o restante das ações da companhia por um preço de 25,51 reais por papel. A CPFL disse que realizará uma assembleia de acionistas para deliberar sobre o assunto.
Vale (VALE3; VALE5): A mineradora Vale, maior produtora global de minério de ferro, produziu um recorde de 348,8 milhões de toneladas da commodity em 2016, alta de 0,9 por cento ante o ano anterior, informou a companhia nesta quinta-feira. Assim, ela já bateu um recorde que já era seu.
Hypermarcas (HYPE3): O JPMorgan rebaixou a recomendação das ações da Hypermarcas de overweight para neutra, destacando o potencial limitado de valorização para as ações, Os analistas ainda cortaram o preço-alvo das ações de R$ 30 para R$ 29,50. Conforme destaca o JPMorgan, embora o crescimento da Hypermarcas ultrapasse o mercado nos próximos cinco anos, a empresa poderá eventualmente precisar aplicar políticas de desconto mais elevada para "retirar espaço dos pares da prateleira", afirma. 
Petrobras (PETR3; PETR4): A produção de petróleo e gás natural da Petrobras, em janeiro, ficou em 2,86 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). Desse total, 2,74 milhões boed foram produzidos no Brasil e 120 mil boed no exterior. De acordo com a Petrobras, a produção média de petróleo no país atingiu 2,23 milhões de barris por dia (bpd), o que representou queda de 3% em comparação ao volume de dezembro do ano passado. 

2. Bolsas mundiais
Os mercados de ativos de risco passam por realização de lucros após as altas dos últimos dias na sessão desta quinta-feira. Os mercados acionários chineses registraram ganhos modestos nesta quinta-feira, uma vez que os preços mais altos das commodities e os gastos com infraestrutura continuaram a impulsionar as ações das empresas do setor de matérias-primas, enquanto o Nikkei fechou em leve queda. Entre os dados domésticos, a China atraiu 80,1 bilhões de yuans (US$ 11,7 bilhões) em investimento estrangeiro direto em janeiro, 9,2% menos que em igual mês do ano passado, informou a mídia estatal, citando o Ministério de Comércio do país. Em dezembro, o volume de investimento estrangeiro direto recebido pela China havia sido 5,7% maior que o de um ano antes

Já na Europa, a queda é mais acentuada, com o rali que levou ações globais ao recorde, motivado por
apostas de que políticas de Donald Trump levariam ao crescimento, tem pausa nesta manhã. Os ativos que geralmente são vistos como portos seguros, como iene, títulos americanos e ouro avançam. O mercado europeu ainda fica de olho no noticiário político: o promotor fiscal francês disse que suas investigações sobre alegações de trabalho falso em torno do candidato presidencial francês François Fillon e sua mulher continuarão, o que pode dar forças à candidata de direita e anti-euro Marine Le Pen. 
No mercado de commodities, o minério de ferro recua na China em sessão volátil e metais
industriais caem em Londres; já o petróleo sustenta os R$ 53, apesar da alta dos estoques nos EUA

Às 8h06, este era o desempenho dos principais índices:

* FTSE 100 (Reino Unido) -0,40%

* CAC-40 (França) -0,31%

* DAX (Alemanha) -0,17%

* Xangai (China) +0,51% (fechado)

* Hang Seng (Hong Kong) +0,47% (fechado)

* Nikkei (Japão) -0,47% (fechado)

* Petróleo brent +0,27%, a US$ 55,90, o barril

* Petróleo WTI +0,27%, a US$ 53,29, o barril

* Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian -2,42%, a 686 iuanes

* Minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao -1,08%, a US$ 90,06

3. Agenda doméstica
O destaque doméstico é o IBC-Br de dezembro. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, espécie de sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), recuou 4,55% em 2016, marcando o segundo ano consecutivo de aguda recessão na economia. Em dezembro, o índice caiu 0,26% ante novembro, desempenho pior que a contração de 0,20 por cento estimada em pesquisa da Reuters. 

Por aqui, também será divulgado o Relatório Prisma Fiscal, com as projeções de economistas para os principais indicadores fiscais do país. Nos Estados Unidos, a atenção se concentra nos pedidos de auxílio-desemprego referentes a fevereiro, que serão divulgados às 11h30.

Veja a agenda completa de indicadores clicando aqui

O mercado deve repercutir também a votação do projeto de repatriação de recursos enviados ilegalmente para o exterior. A perspectiva é que com o projeto aprovado, o ingresso de dólares no país possa pressionar a cotação da moeda norte-americana ainda mais para baixo. Vale destacar que o Banco Central mantém oferta até 6 mil contratos de swap cambial para rolagem dos contratos de 1/março, 11:30 às 11:40, com resultado às 11:50.

Em Brasília, a comissão da reforma trabalhista receberá o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho, e o Procurador-Geral do Trabalho, Ronaldo Fleury.

4. Noticiário político
Os jornais desta quinta-feira destacam que o presidente Michel Temer está praticamente decidido sobre a escolha do novo ministro da Justiça: Carlos Velloso, ex-STF. Porém, segundo a Folha, em conversas reservadas, o presidente tem afirmado que definiu o nome, mas que pode haver mudança caso seja revelada alguma polêmica envolvendo o ex-ministro. A hipótese, contudo, é considerada pouco provável pelo governo. 

Os jornais desta quinta também relatam pressão para que o Palácio do Planalto adote um "pacote de bondades".  De acordo com reportagens da “Folha de S. Paulo” e de "O Estado de S. Paulo", entre as “sugestões” estão o aumento da isenção do Imposto de Renda e o reajuste do Bolsa Família. Há pressões também para que o Banco Central encontre logo fórmulas de reduzir para valer o tamanho dos juros para o tomador final de empréstimos. 

Atenção ainda para a entrevista do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, à Globonews. Ele afirmou que a venda de terras para estrangeiros será liberada "nos próximos 30 dias". Ainda na entrevista, Meirelles afirmou que o governo já decidiu elevar para R$ 1,5 milhão o limite de financiamento imobiliário via Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) - atualmente, em São Paulo, o teto está em R$ 950 mil. "A classe média vai ser extremamente beneficiada (pela medida)", disse. O ministro não informou quando o novo limite passará a valer. 

5. InfoMoney TV
O InfoMoney traz nesta quinta-feira o segundo bloco do debate sobre o artigo de André Lara Resende ao Valor Econômico, que suscitou um forte debate entre os economistas. Esta reação pode ser explicada pelo “medo” de que a tese de que juros permanentemente altos resultam na elevação da inflação no longo prazo possa ser encampada como argumento em favor de um “atalho” para a redução desenfreada da Selic, de acordo com o economista Mauro Schneider, da MCM Consultores. “

Leonardo Palhuca, economista e editor do Terraço Econômico, argumenta na mesma linha que a autoridade de Lara Resende no meio econômico como um dos criadores do Plano Real também pode ser mal interpretada como uma chancela para experimentos heterodoxos. Confira o debate clicando aqui. 

(Com Bloomberg, Reuters e Agência Estado)

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