Por Paula Barra Em mercados  11 jan, 2017 20h04

Selic a 9% em 2017? Veja as novas projeções do mercado após a "grande surpresa" do BC

Em decisão surpreendente, Copom decide cortar a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano, indo ao menor patamar desde abril de 2015

Por Paula Barra Em mercados  11 jan, 2017 20h04

SÃO PAULO - O Banco Central foi mais agressivo do que o consenso do mercado esperava e decidiu cortar a Selic em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira (11), que foi a 13,00% ao ano, no seu menor patamar desde o fim de abril de 2015, quando estava em 12,75% a.a.. Após a decisão, economistas já começam a projetar a próxima reunião: embora uma repetição do 0,75 p.p. seja o cenário mais aguardado, há quem não descarte um corte de 1 p.p. na próxima reunião do dia 22 de fevereiro, o que levaria a taxa a 12% ao ano.

Essa é a opinião do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. Em entrevista à Bloomberg, ele comentou que o BC está "uma reunião atrasado" e por isso optou pelo corte de 0,75 p.p., mas que na próxima reunião a redução será de 1 p.p., chegando com a Selic em outubro a 10%.

O coro do 0,75 p.p.
Apesar da possibilidade do 1 p.p., a maior parte do mercado acredita na continuidade do ritmo de corte na próxima reunião, isto é, o 0,75 p.p.. Neste grupo, encontram-se os economistas do 
Safra, Haitong, Goldman Sachs, Rosenberg Associados e BB Investimentos, segundo opiniões compiladas após a reunião desta quarta-feira. Ainda assim, vale o destaque: embora a expectativa seja de manutenção do ritmo, há quem estime nesse grupo a possibilidade de a Selic ir para um patamar mais baixo em 2017 do que os 10% projetados pelo Fator. 

Para o economista-chefe do Safra, Carlos Kawall, a Selic pode chegar a 9% no fim de 2017; e em 8,5% em 2018. Segundo ele, o BC deveria seguir com mais dois cortes de 0,75 p.p. nas próximas reuniões. 

"Não há o que criticar", disse Kawall à Bloomberg, complementando: "À luz da piora na margem da atividade, melhora na margem de indicadores de inflação e sinais menos nervosos no canal externo, o BC 'usou um crédito' que havia ganho". Para ele, o corte de 0,75 p.p. não foi algo "totalmente surpreendente", mas o mercado deve reagir bem à decisão.

Já a Rosenberg Associados vê espaço para corte da Selic até 9,75%, ante projeção de 10,75% para este ano. A expectativa é que mais três cortes de juros de 0,75 p.p., seguidos de mais dois cortes de 0,5 p.p., indo para o patamar de 9,75% em outubro, onde deve continuar por algum tempo. 

O Goldman Sachs, por sua vez, fala que o BC deixou a porta aberta para uma outra redução de 0,75 p.p., salvo uma grande deterioração do cenário externo. "Em uma mudança de linguagem para 'dovish', o que é consistente com a decisão de cortar a Selic em 0,75 p.p., o Copom está agora não somente focado na projeção de inflação para 2018 (que foi projetada 110 pontos-base abaixo da meta anterior ao corte), mas já não está mais prevendo também um processo de 'flexibilização gradual das condições monetárias", comentou o economista-chefe do banco, Alberto Ramos.  

Já Jankiel Santos, economista-chefe da Haitong, disse que a continuidade desse ritmo ou a redução para um passo mais lento dependerá da evolução do cenário prospectivo, mas que as chances de a Selic atingir novamente o nível de um dígito ainda este ano aumentaram bastante. Atualmente, o cenário do banco contempla Selic a 10,50% a.a. no final de 2017 e 9,50% no final de 2018, mas esse cenário será revisado em breve.

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Contato