Por Paula Barra Rodrigo Tolotti Umpieres Em mercados  11 jan, 2017 18h21 - Atualizada em 18h31

BC mais agressivo: Copom corta Selic para 13,00% ao ano e revisa inflação para baixo

BC surpreende e corta a Selic pela 3ª vez consecutiva, que cai ao menor patamar desde abril de 2015; decisão veio em meio à desaceleração da inflação e demora para a retomada do crescimento econômico

Por Paula Barra Rodrigo Tolotti Umpieres Em mercados  11 jan, 2017 18h31

SÃO PAULO - Apesar de não ser considerado uma surpresa, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, não seguir o que a maioria do mercado esperava e cortou a Selic em 75 pontos-base nesta quarta-feira (11), para 13,00% ao ano, no menor patamar desde o fim de abril de 2015, quando estava em 12,75% ao ano. A redução marca uma aceleração no ritmo de corte que vinha sendo feito em doses de 25 pontos-base, em meio às previsões de que a retomada do crescimento da economia brasileira pode demorar mais para acontecer e aos sinais de desaceleração de inflação

Esse foi o 3º corte consecutivo dos juros, que já caiu 125 pontos-base neste ciclo que deve perdurar ao longo do ano. Segundo o Boletim Focus (relatório de projeções do mercado divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central), a taxa básica de juros brasileira deve fechar 2017 em 10,25%.

A redução acima do esperado pelo consenso do mercado foi justificada pela melhora nas expectativas de inflação. As projeções de consideradas melhoraram: no cenário de referência, o IPCA projetado foi de 4,4% para 4,0% em 2017; e de 3,4% e 3,6% para 2018. 

Embora não fosse a projeção majoritária, importantes economistas e gestores já haviam apontado para esta possibilidade de corte mais agressivo. Mesmo quem defendia um corte de 50 pontos, caso do Bradesco, já sinalizava que os fundamentos para um corte mais agressivo este mês já estavam presentes. A cautela vinha das dúvidas com o cenário externo com a posse de Donald Trump e um cenário fiscal ainda fraco. Por outro lado, o Itaú já havia destacado que o BC cortaria a Selic em 75 pontos para produzir uma resposta mais rápida da atividade econômica, sem colocar em risco a "re-ancoragem" da expectativa para a inflação.

Confira abaixo o comunicado do BC na íntegra:

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente;

No âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto. Entretanto, até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados;

A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico;

A inflação acumulada no ano passado alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação estabelecido para 2016;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 4,8% para 2017, e mantiveram-se ancoradas ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes;

As projeções condicionais do Copom também recuaram em relação às divulgadas no Relatório de Inflação passado, que foram baseadas no conjunto de informações disponíveis até 9 de dezembro de 2016. Dentre outros fatores, os recuos nas projeções foram influenciados por dados de inflação e atividade econômica divulgados desde então. As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente; e

Os passos no processo de encaminhamento e aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.

O Comitê ressalta os seguintes riscos para o cenário básico para a inflação:

Por um lado, (i) o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de desinflação; (ii) o processo de desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária requer atenção contínua; (iii) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas;

Por outro lado, (iv) a atividade econômica mais fraca e o elevado nível de ociosidade na economia podem produzir desinflação mais rápida que a refletida nas projeções do Copom; (v) a inflação tem se mostrado mais favorável, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; e (vi) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia pode ocorrer de forma mais célere que o antecipado.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 13,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso.

O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião. Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização. A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados acima.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.


Ilan Goldfajn
(Lula Marques/Agência PT)

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