Em mercados

Contagem regressiva para o maior evento do mercado em setembro: semana será crucial para o Fed

Confira o que mais de importante ocorrerá na próxima semana, que é muito importante para antecipar a política monetária dos EUA

SÃO PAULO - A contagem regressiva para a decisão de juros do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de setembro, principal evento do mês, já começou. Depois do vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, defender uma elevação nesse encontro, um relatório fraco de emprego nos EUA derrubou novamente as apostas. No entanto, as repetidas comunicações "hawkish" (agressivas, no sentido de subir juros) de outros membros como Eric Rosengren, o presidente do Fed de Boston, nesta sexta-feira (9) reviveram essa possibilidade de que as taxas subam. Os próximos 5 dias serão cruciais para antecipar o que será feito pela autoridade monetária norte-americana no fim deste mês. 

A começar, a presidente do Federal Reserve de Washington, Lael Brainard, fará discurso na segunda-feira (12). Analistas dizem que ela é a diretora mais ouvida pela chairwoman da autoridade monetária dos EUA, Janet Yellen. O diretor técnico da Wagner Investimentos, José Faria Jr., ressalta que Brainard sempre defendeu juros baixos e que uma sinalização de que ela está disposta a subir os juros pode ser a senha para o mercado apostar que em setembro começa o aperto nos EUA.

Além disso, diversos dados dos EUA serão divulgados na quinta e na sexta-feira da semana que vem. Deles, o mais importante é o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês). De acordo com o economista da Infinity Asset, Jason Vieira, a inflação, embora mais próxima da meta do que no ano passado, continua baixa no ano e está totalmente sob controle. "A situação dos EUA é de atividade econômica acelerada sem inflação. Nada que justifique um aperto monetário", afirma. No entanto, ele imagina que um número muito acima do esperado pode deixar o Fed mais confortável para subir as taxas. Inversamente, um dado muito abaixo das estimativas pode ser um forte argumento contra uma ação nos juros. 

"Tudo vai depender da leitura desse dado pelos membros do Fed e pelo mercado, mas o contexto inflacionário atual ainda depõe contra uma elevação dos juros", explica Vieira.  

Entre outros destaques da semana que vem, o banco central da Inglaterra decide sua taxa de juros e os investidores esperam que ele ofereça mais estímulos ou que pelo menos sinalize que vai continuar com uma política monetária expansionista para que o mundo não tema uma redução na liquidez que tem impulsionado as bolsas internacionais. 

No Brasil, será importante acompanhar a sessão que decide a possível cassação do deputado afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na segunda-feira. Já na terça-feira, o governo anuncia um pacote de concessões de infraestrutura para a iniciativa privada. 

Confira os principais eventos da agenda da próxima semana:

Inflação e vendas no varejo dos EUA
O CPI dos EUA relativo a agosto será divulgado na sexta-feira (16) às 9h30 (horário de Brasília) junto com o PPI (Índice de Preços ao Produtor, na sigla em inglês). Já as vendas no varejo saem na quinta-feira (15) às 9h30. Para ambos, a expectativa mediana dos economistas é de avanço de 0,1%. Já as vendas no varejo nos EUA saem na quinta-feira (15) às 9h30 e é esperada uma queda de 0,1%. 

Dados da China
A produção industrial da China em agosto será divulgada às 23h da segunda-feira. A expectativa mediana dos economistas é de crescimento de 6,2%, contra 6% de avanço em julho. No mesmo horário saem as vendas no varejo da China, para as quais espera-se uma expansão de 10,2%, mesma alta do mês anterior. 

Cassação de Cunha
A sessão que pode cassar o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, começa às 19h da segunda no plenário da Câmara. A esperança do deputado é de que não haja quórum para a votação, uma vez que espera-se para a quarta-feira (14) o início de um recesso parlamentar branco para que os deputados se dediquem às campanhas das eleições municipais. São necessários 257 votos para que seja aprovado o parecer do Conselho de Ética que pede a perda do mandato de Cunha.  

Vieira acredita que o evento não terá impacto no mercado, mas é sempre importante de monitorar pela possibilidade de que Cunha assine um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, podendo delatar companheiros do PMDB.  

Pacote de concessões
O governo irá anunciar um programa de concessões nesta terça (13). Analistas do Credit Suisse dizem que isso pode afetar as ações da CCR (CCRO3). "Nossos analistas identificaram mais de R$ 60 milhões em oportunidades de investimento para os proximos 18 meses. A CCR nos parece a maior ganhadora deste ambiente, tanto pelo track record quanto pela escala e menor apetite dos players locais depois da Lava Jato", diz a equipe de análise do banco.

Para ver a agenda completa da semana que vem, clique aqui.

Janet Yellen
(Bloomberg)

Contato