Economista que prevê dólar a R$ 5,00 critica projeções "irrealistas" de seus colegas

Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, acha que falta ousadia nos números apresentados no boletim Focus, do Banco Central; "economistas estão cometendo os mesmos erros de 2015"

 08 jan, 2016 08h44
Lara Rizério
bandeira do Brasil com crianças - Dia do Soldado
(Antonio Cruz/ABr)

SÃO PAULO - O ano de 2015 foi de muitas mudanças nas expectativas para a economia brasileira, refletida através do boletim Focus, o que levou a questionamentos de porque os economistas teriam errado tanto no ano que passou (veja mais clicando aqui). E 2016 mal começou, mas já há críticas sobre as estimativas atuais para a economia deste ano. 

Em artigo, o economista Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da corretora de câmbio NGO, ressaltou que há inúmeros fatores que podem explicar o forte afastamento da visão que o mercado financeiro mantinha ao inicio do ano de 2015 em relação ao que se efetivou, sendo a principal a dimensão da crise fiscal e paralisante da atividade econômica que não era possível ser detectada ao inicio do ano de 2015 e que veio a ganhar transparência logo nos primeiros meses do ano.

"Mas o fato é que as principais projeções para tomada de decisões se revelaram extremamente erráticas", ressalta, e tudo indica que já há projeções absolutamente fora do ponto, além de uma discussão se a crise é política ou econômica, com ênfase a questão fiscal.

"Evidente que há os dois fatores, mas o fato concreto é que a não recuperação da atividade econômica, impossível neste momento já que não há como definir um planejamento de desenvolvimento sem estabilizar o quadro caótico e decadente da atividade econômica, coloca em perspectiva o incremento forte do desemprego, perda de renda e potencial de consumo, sem que se consiga um grande feito contra a inflação, praticamente não responsiva a aumento de taxa de juro, pois não há pressão de demanda mas sim perspectiva de agravamento da recessão. O desgaste da imagem do país no mercado global, já penalizada pelas agências de rating e que poderá ser agravada, é neste ano de 2016 muito mais intenso do que o era ao inicio do ano de 2015", continua, lembrando o cenário bastante desafiador para o País em diversas frentes. 

Então, projetar uma queda da inflação pelo IPCA de 10,72% em 2015 para 6,87% neste ano não parece sustentável. "Mesmo que a recessão se faça expressiva, o país deverá ter, minimamente, 9% de inflação, já que as pressões não respondem mais a aumento de juro pois não há demanda aquecida e sim tendência a crescimento da inadimplência", afirmou.

"Neste ambiente com perspectivas amplamente desfavoráveis das quais citamos algumas é insustentável imaginar-se uma taxa cambial ao final do ano de R$ 4,21. Muito provavelmente, na melhor hipótese, teremos uma taxa cambial em torno de R$ 5,00, com queda nos IED´s e risco de intensificação de saídas de recursos externos mesmo que o Copom [Comitê de Política Monetária] eleve a taxa Selic, que no fundo se prestará mais a remunerar os agentes do mercado financeiro e a onerar as contas publicas", continua. "Dólar ao preço de R$ 4,21 ao final de 2016 é absolutamente improvável, no nosso entender impossível mesmo".

Por outro lado, as projeções para o PIB negativo em 2,95% e produção industrial negativa em 3,50% estão em linha com a tendência, afirma, podendo ser mais acentuada para a produção industrial e não se espera com esta perspectiva reordenamento da política fiscal.

E reforma a crítica no final: "na realidade o 'status quo' do país e suas perspectivas sugerem projeções mais equânimes com o cenário prospectivo, e não é isto que se observa ao inicio do ano em itens extremamente importantes para tomada de decisões. É preciso mais realismo na manifestação de projeções, mais ousadia na percepção dos quadros prospectivos", concluiu. 

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