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Copom mantém Selic em 14,25%, mas deixa dúvida sobre cumprimento da meta de inflação

Equipe do Banco Central decidiu pela manutenção da taxa Selic diante do risco de um aumento da recessão caso os juros aumentem

SÃO PAULO - Como já esperava a maior parte dos economistas, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) na reunião desta quarta-feira (21), foi pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano. Com isso, o Banco Central manteve os juros pela segunda reunião seguida após uma sequência de sete altas iniciada em outubro do ano passado.

Segundo analistas, a ideia principal do BC é transmitir a mensagem de que vai continuar atento e que acompanhará de perto a evolução do balanço de riscos para a inflação, a fim de, se necessário, ajustar a postura de política monetária para assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,50% ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Os analistas do BTG Pactual destacaram que para a autoridade conseguir atingir essa meta inflacionária, manter os juros é essencial.

No entendimento do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, o BC deve manter a Selic em 14,25% até parte de 2016, pois acredita que a taxa neste nível poderá fazer com que as expectativas de inflação desacelerem, levando o IPCA para 4,50% no fim do ano que vem. "A convergência das expectativas é que vai ser um sinal de mudança na condução da política monetária", disse.

Apesar da expectativa pela manutenção, alguns analistas se mostraram preocupados com a recente disparada do dólar e com a pressão da inflação, que se mantém forte. Apesar do BC manter as taxas, há quem ainda acredite que a autoridade não tenha descartado ainda voltar a subir a Selic caso esse cenário não melhore. O risco de se elevar mais uma vez as taxas é um aprofundamento da recessão e aumento dos custos fiscais.

Na nota divulgada, o BC alterou o trecho em que afirmava na reunião de setembro que a manutenção da taxa "é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", retirando essa previsão para ano que vem. Além disso, eles incluíram um trecho mais "duro", afirmando que vão se manter vigilantes.

Confira o comunicado na íntegra:

Brasília – Avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 14,25% a.a., sem viés.

O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária. O Copom ressalta que a política monetária se manterá vigilante para a consecução desse objetivo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon.

Alexandre Tombini - presidente do BC
(José Cruz/ABr)

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