Usualmente descolados, ouro e bolsa estão na mesma direção; entenda por quê

Preço do metal teve na última segunda-feira seu pior desempenho em dois dias em 30 anos, enquanto o Ibovespa teve a maior queda em 18 meses
Por Paula Barra  
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SÃO PAULO - Embora o movimento seja de aversão ao risco, com as bolsas mundiais tendo registrado um dos piores desempenhos dos últimos meses, o ouro, considerado um investimento defensivo pelos investidores, alcançou nesta segunda-feira (15) o seu pior patamar nos últimos dois anos. Nesta terça, ambos mostraram uma ligeira recuperação e apresentaram altas.

Normalmente, o metal é a opção para os investidores quando o mercado acionário não caminha muito bem das pernas. Isso ocorre por terem um relação inversa, ou seja, quando um sobe o outro costuma cair.

Nos últimos dias, contudo, os mercados caminham no mesmo sentido. Segundo o operador da OM DTVM, Maurício Gaioti, os investidores estão buscando diversificar seus ativos e não alocarem apenas em ouro. "Mesmo com crescimento menos exuberante da China, o cenário econômico internacional ainda está favorável e contribui para os investidores procurarem outras opções de investimento", disse.

Após ficar abaixo dos US$ 1.500 por onça na última sexta-feira, o contrato futuro da commodity com vencimento em junho recuou 10,22% nesta sessão e atingiu US$ 1.348, seu pior patamar em 2 anos. Com isso, o ouro atinge seu pior desempenho em dois dias em mais de 30 anos, acumulando perdas de 13,4%.

Impactos no ouro
Para Gaioti, alguns fatores estão ajudando a pressionar o desempenho do ouro nos últimos dois pregões. Um deles é a notícia de que o governo do Chipre vai vender reservar de ouro no valor de € 400 milhões, cerca de 10 toneladas das 13,9 toneladas detidas pelo banco central do país, para ajudar a financiar o resgate financeiro, aumentando os receios de um precedente entre os países mais afetados pela crise da dívida na zona do euro. 

Essa será a primeira vez desde 1997 que um país intervencionado recorre ao ouro para tentar angariar verbas. Durante a crise financeira na Ásia, entre 1997 e 1998, a Coreia do Sul apelou aos cidadãos para que doassem joias ao banco central. 

"A notícia da venda foi uma pancada no preço do ouro na última sexta-feira, quando o metal caiu 4% (indo para a menor cotação desde julho de 2011, abaixo de US$ 1.500 por onça). É a lei da oferta e procura, não teve como a cotação segurar o antigo patamar", disse Gaioti. 

Índia e cortes de recomendação
Adicionalmente, o preço do metal foi penalizado pela diminuição significativa da procura de ouro pelos indianos no mercado. No início do ano, o governo da Índia aumentou os impostos sobre a importação de ouro, o que provocou uma redução de 27% da demanda indiana pelo produto. A Índia é o maior comprador mundial de ouro e um impacto desse é extremamente significativo para o preço da commodity, avaliou Gaioti. 

Também contribuiu para esse desempenho a revisão de diversos bancos em suas projeções para o ouro no final do ano. Depois do Deutsche Bank e JPMorgan reduzirem suas estimativas de preço para o metal para US$ 1.615 e US$ 1.400, respectivamente, o Goldman Sachs cortou sua projeção para US$ 1.390 neste pregão.

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