Mercado só repercutirá efeitos do "sequestro" nos EUA mais à frente, diz CNBC

Analista norte-americano diz que mercado vive um "limbo"; índices nos EUA subiram mesmo com fracasso em chegar a acordo, o que indica que investidores estão subestimando consequências
Por Lara Rizério  
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SÃO PAULO - Wall Street tem evitado um grande tumulto no mercado depois da resolução temporária do "abismo fiscal", mas está longe de sair do perigo representado pela turbulência política, de acordo com artigo da CNBC. O prazo para evitar os cortes obrigatórios no valor de US$ 85 bilhões, o chamado "sequestro", terminou e o programa, dessa vez, entrou em efeito. Entretanto, aponta, o mercado ainda é bastante complacente frente a Washington. 

"A única coisa sobre os mercados é que nada importa até o dia em que ele realmente começa a se importar. Essa é a maneira como ele funciona", aponta o estrategista-chefe da Prudential Annuities, em entrevista ao portal norte-americano. "Olhando para todos os casos que passamos, quer se trate de subprime, a bolha da tecnologia, os dados indicam que os mercados podem continuar subindo, mas um dia ele vai importar'', aponta.

Assim, os cortes de gastos obrigatórios tecnicamente entraram em vigor na sexta-feira, mas provavelmente só serão sentidos posteriomente. Krosby cita o efeito "retardado" do mercado, como foi o caso do pregão de sexta-feira, quando as bolsas fecharam em alta mesmo após o sequestro, o que indica a calmaria dos mercados depois das indicações do presidente Barack Obama do quão graves seriam as consequências do corte de gastos.

A resolução que permite às autoridades financiarem seus gastos continua em 27 de março, havendo ainda em 15 de abril uma resolução que irá suspender o salário dos congressistas, a não ser que uma resolução orçamentária seja aprovada. Por fim, em maio, os EUA podem atingir novamente o seu limite de endividamento.

Até então, porém, os EUA parecem agir como se o problema da dívida e do déficit não existisse, avalia a CNBC. Isto acaba prejudicando o mercado no longo prazo, uma vez que o que realmente deveria ser feito tiraria os efeitos altistas no prazo mais curto, aponta Krosby. 

Entretanto, sinais de preocupação aumentam
Contudo, já começaram os sinais de preocupação do mercado, como ressalta o estrategista do Citigroup, Tobias Levkovich, que, apesar da visão de longo prazo otimista, a situação de curto prazo pode se deteriorar devido à instabilidade política.

Isso indica uma mudança, depois da alta complacência que os investidores ainda têm em relação ao governo norte-americano. Com isso, a chance de maior volatilidade dos mercados aumenta. 

De acordo com Michelle Meyer, economista do Bank of America Merrill Lynch, os investidores estão subestimando a pressão sobre o consumidor norte-americano. 

"Há fatores positivos, como a valorização da riqueza e o crescimento modesto do emprego, mas o choque do aumento da folha de pagamentos de impostos juntamente com reembolsos de impostos atrasados e os preços da gasolina deve resultar em um consumidor com pouca confiança", aponta, para o site norte-americano. O dia que Washington pode voltar a importar está chegando perto, avalia. Assim, diz Krosby, o mercado está enfrentando um "limbo". 


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