The Economist sugere que Dilma reduza gastos e resista aos grevistas

Até o momento, país tem concentrado os esforços em reduzir o custo-Brasil somente via desvalorização cambial e redução nos juros
Por Fernando Ladeira  
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SÃO PAULO - Mais uma vez com um tom de desconfiança, o Brasil volta às páginas da britância The Economist. Depois de atacar os elevados salários dos servidores públicos e o assustador cenário de crédito no País, uma das mais respeitadas revistas de economia no mundo se volta contra o custo-Brasil.

"Dilma Rousseff, a sucessora de Lula, parece entender a necessidade de mudança. Mas até o momento seus esforço para cortar custos têm sido focados principalmente em forçar a moeda e as taxas de juros para baixo. Isso ainda não levou a um salto na inflação como alguns temiam, mas ainda permanece uma aposta", alerta a revista.

Essa crítica ocorre em meio a diversas medidas para passar à iniciativa privada a concessão de importantes obras de infraestrutura. O processo teve início com o leilão de aeroportos, em fevereiro, mas os termos parecem tão duros que as melhorias deverão ser lentas, diz a reportagem.

Nessa semana, o Governo brasileiro deu o próximo passo: um programa de US$ 133 bilhões para os próximos 25 anos, no qual abrirá mão de concessões em ferrovias e rodovias. Mas, para atrair esse montante todo dos empresários, Dilma terá que oferecer um razoável retorno, pondera a matéria.

Redução de custos e resistência aos grevistas
Também está em pauta o investimento privado em portos e aeroportos, assim como as discussões para cortar as tarifas de energia e um corte nos impostos da folha de pagamento para todas as indústrias, em vez de privilegiar algumas, como ocorreu no ano passado. "Para fazer isso sem inflar o déficit orçamentário, Rousseff também deve interromper o aumento no gasto público. Isso é mais fácil de falar que fazer", diz a The Economist.

A reportagem chama atenção para o fato de que muito do orçamento federal se destina às pensões, e defende que a presidenta deveria abolir "absurdas regras de aposentadoria". Mas isso deve demorar. A publicação acredita que, no curto prazo, é vital reduzir os custos da folha de pagamento. "Então ela deve continuar a resistir às exorbitantes demandas de salário da greve dos servidores públicos."

Foco na competitividade
Portanto, as próximas decisões serão decisivas para indicar qual caminho o Governo seguirá. Apesar do PT (Partido dos Trabalhadores) ter muito de seu apoio em sindicatos do setor público, a popularidade de Dilma aumentou muito depois das demissões de ministros envolvidos em escândalos políticos.

"Restaurar o crescimento e a competitividade das empresas brasileiras ao rebater o ganancioso Leviatã de Brasília é a melhor maneira para ela vencer seu segundo mandato - e de garantir que a economia brasileira não continue a reproduzir os erros de um século atrás", concui a publicação britânica.

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