Personagens: Abilio Diniz, o maratonista que sabe correr para o sucesso

"Meu caminho foi repleto de dificuldades e o êxito só foi alcançado com determinação e disciplina. Não me queixo"
Por Edilaine Felix  
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SÃO PAULO - Empresário, esportista, determinado. Este é Abilio dos Santos Diniz, um empresário de fama internacional. Em meio a discussões econômicas e os entraves envolvendo seu afastamento do conselho de administração do grupo Pão de Açúcar (PCAR4), o paulistano, nascido em 28 de dezembo de 1936, católico praticante não abre mão de sua religiosidade. 

O mega empresário frequenta todo dia 22 de maio a igreja de Santa Rita de Cássia. Inclusive neste último dia 22, em viagem aos Estados Unidos postou em seu twitter: “E como hoje é dia de Santa Rita, na hora do almoço fui até uma igreja de Santa Rita aqui em Boston.”

Abílio é o primeiro de seis filhos, herdou à religiosidade de sua mãe, Floripes, e o mundo dos negócios do pai, Valentim Diniz, imigrante português que chegou ao Brasil em 1929 e, que em 1948, abriu uma doceira chamada Pão de Açúcar. “Seu Santos", como sempre foi carinhosamente chamado pelos funcionários do grupo, que começou como uma doceira na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo.

Estudos e esportes
Durante a infância e a juventude, Diniz dividiu seu tempo entre os estudos e os esportes. Formou-se na segunda turma de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas e aos 20 anos entrou na empresa do pai para trabalhar como gerente de vendas. Audacioso, logo em 1959 fundou o primeiro supermercado do grupo.

A partir daí, ele não parou mais - nem de estudar, nem de trabalhar, nem de praticar esportes. Até hoje pratica corrida, natação, musculação e squash e, desde 1994, participa da Maratona de Nova York. É são paulino e escreve sobre futebol em um blog, além de comentar nas redes sociais sobre os jogos da rodada.

O primeiro supermercado de nome Pão de Açúcar foi inaugurado em abril de 1959, bem perto do local onde funcionara a doceira de seu pai. Esse foi o começo de uma rede que foi abrindo novas lojas, comprando grupos, como a rede Sirva-se, o Peg-Pag, entre outras.

Em 1968, o Pão de Açúcar já tinha 40 supermercados e Diniz já era um empresário reconhecido pela ousadia e despreendimento. Continua com sua rotina de atividades esportivas e para combinar com o momento, começou a correr, chegando a vencer provar de automobilismo nos anos 1960 e 1970.

Se não bastasse a correria para dar conta de um grupo que avançava a passos largos, entre os anos de 1979 e 1989, Diniz foi membro do Conselho Monetário Nacional. Mesmo com toda disposição de um esportista não deu conta e nessa fase afastou-se dos negócios da empresa.

Nem tudo são flores
Em dezembro de 1989, Diniz foi sequestrado pelo Movimiento de Izquierda Revolucionaria, grupo de guerrilheiros chilenos, e passou sete dias em um cativeiro em São Paulo.

Nos anos 1990, Diniz passou por rachas familiares, brigou com os irmãos pelo controle acionário do Pão de Açúcar, até que ele conseguiu o controle acionário da companhia. Neste mesmo ano, viu o Pão de Açúcar ficar à beira da falência.

Toda sua autoestima foi testada e reafirmada nessa passagem turbulenta de sua vida. Como consta em sua biografia, reafirmou aí sua relação com Deus, e daí “nasceu um sujeito menos áspero e briguento que passou a compreender melhor o sentido do amor, do autoconhecimento e da religião em sua vida”.

Depois da tempestade, a bonança
A crise ocorrida nos anos 1990, Diniz dispôs de toda dedicação e disciplina para colocar o Pão de Açúcar entre os maiores grupos varejistas do mundo, começando a despertar o interesse de outros conglomerados. Em busca de profissionalização abriu mão da presidência executiva do grupo e desde 2003 é o então presidente do conselho administrativo.

Entre tantos negócios feitos de lá pra cá, firmou uma sociedade com o grupo francês Casino, comprou a rede Ponto Frio e associou-se a Casas Bahia. O que era grande ficou ainda maior. Diniz seguia olhando de cima os mais de 140 mil funcionários, 1.571 lojas e tantos outros números, todos tão grandes quanto os anseios pessoais.

Reviravolta
Em março deste ano, o Casino decidiu que não reconduziria o empresário para a função de conselheiro, devido a desentendimentos com o grupo. Em maio a decisão da maioria dos acionistas da varejista francesa bateu o martelo para Diniz não ficar no conselho de administração.

A mudança havia sido negociada entre os sócios em 2005 e as disputas societárias e desavenças foram acirradas em 2011 quando Diniz discutia uma fusão com a subsidiária brasileira do Carrefour. O Casino sentiu-se traído e foi o fim da convivência amigável.

Em seu site, sobre a operação com o Casino, Abilio diz: “Nunca rasguei contrato ou descumpri acordos. Aprendi com meu pai que a palavra era tão importante quanto a assinatura e que tinha que ser honrada”. Atualmente, Diniz e Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, só se falam por intermédio de seus advogados.

Os franceses assumem o controle do Pão de Açúcar em 22 de junho deste ano e Diniz terá uma posição enfraquecida no grupo. Nessa nova fase, o Casino ganhará dois novos conselheiros, e o Pão perderá dois. Diniz continua como presidente do conselho de administração, cargo que ele fez questão de preservar, e continuará indicando o presidente executivo.

“Vem ser feliz”
“Tenho tido sucesso. Claro que sim. Mas meu caminho foi repleto de dificuldades e o êxito só foi alcançado com determinação e disciplina. Não me queixo. Tenho certeza que o crescimento do ser humano é muito maior no sofrimento do que na felicidade. Além disso, tudo pelo que passei resultou em lições e mudanças para melhor”. (“Trecho do livro: Abilio Diniz: Caminhos e Escolhas: o Equilíbrio Para uma Vida Mais Feliz”)

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