E agora, qual o melhor: poupança, CDB, fundo DI ou Tesouro Direto?

Especialistas ressaltam que será preciso fazer mais cálculos e contas para saber qual o investimento é mais vantajoso
Por Diego Lazzaris Borges  
a a a

SÃO PAULO – A nova rentabilidade da caderneta de poupança, que entrou em vigor nesta sexta-feira (4), afetará diretamente a remuneração dos poupadores. A partir de agora, sempre que a Selic estiver em 8,5% ao ano ou menos, a poupança passa a remunerar seus aplicadores com 70% da Selic mais TR (taxa referencial). Se a Selic estiver acima de 8,5% a.a., nada muda e a rentabilidade continua em 0,5% ao mês mais TR.

Com isso, especialistas ressaltam que será preciso fazer mais cálculos para saber qual investimento é mais vantajoso em um determinado cenário macroeconômico – os juros básicos da economia é que vão balizar a rentabilidade.

O professor do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Fábio Fusco, fez, a pedido do InfoMoney, a simulação de rentabilidade de aplicações atreladas à Selic – caderneta de poupança, CDB (Certificado de Depósito Bancário) pós-fixado, LFT (Letras Financeiras do Tesouro) e Fundos DI.

Confira:

Selic a 9% ao ano
Investimento* Prazo de investimento
6 meses 12 meses  24 meses
CDB (98% do CDI) 2,57% 7,15% 17,33%
CDB (80% do CDI) 1,84%  5,53% 13,74%
Fundos DI 2,80% 5,87% 12,46%
Caderneta de poupança 3,18% 6,46% 13,34%
LFT 4,36% 8,93% 18,54%

Selic a 8,5% ao ano
Investimento* Prazo de investimento
6 meses 12 meses  24 meses
CDB (98% do CDI) 2,57% 7,15% 17,33%
CDB (80% do CDI) 1,84%  5,53% 13,74%
Fundos DI 2,62% 5,48% 11,62%
Caderneta de poupança 3,07% 6,24% 12,87%
LFT 4,13% 8,44% 17,47%

Selic a 8% ao ano
Investimento* Prazo de investimento
6 meses 12 meses  24 meses
CDB (98% do CDI) 2,57% 7,15% 17,33%
CDB (80% do CDI) 1,84%  5,53% 13,74%
Fundos DI 2,44% 5,09% 10,75%
Caderneta de poupança 2,90% 5,89% 12,13%
LFT 3,89% 7,94% 16,40%
Selic a 9% ao ano
Investimento
de R$ 1 mil
Prazo de investimento
6 meses 12 meses  24 meses
CDB (98% do CDI) R$ 1.025,70 R$ 1.071,50 R$ 1.173,30
CDB (80% do CDI) R$ 1.018,40  R$ 1.055,30 R$ 1.137,40
Fundos DI R$ 1.028 R$ 1.058,70 R$ 1.124,60
Caderneta de poupança R$ 1.031,80 R$ 1.064,60 R$ 1.133,40
LFT R$ 1.043,60 R$ 1.089,30 R$ 1.185,40

Selic a 8,5% ao ano
Investimento
de R$ 1 mil
Prazo de investimento
6 meses 12 meses  24 meses
CDB (98% do CDI) R$ 1.025,70 R$ 1.071,50 R$ 1.173,30
CDB (80% do CDI) R$ 1.018,40  R$ 1.055,30 R$ 1.137,40
Fundos DI R$ 1.026,20 R$ 1.054,80 R$ 1.116,20
Caderneta de poupança R$ 1.030,70 R$ 1.062,40 R$ 1.058,90
LFT R$ 1.041,30 R$ 1.084,40 R$ 1.174,70

Selic a 8% ao ano
Investimento
de R$ 1 mil
Prazo de investimento
6 meses 12 meses  24 meses
CDB (98% do CDI) R$ 1.025,70 R$ 1.071,50 R$ 1.173,30
CDB (80% do CDI) R$ 1.018,40  R$ 1.055,30 R$ 1.137,40
Fundos DI R$ 1.024,40 R$ 1.050,90 R$ 1.107,50
Caderneta de poupança R$ 1.029 R$ 1.058,90 R$ 1.124,30
LFT R$ 1.038,90 R$ 1.079,40 R$ 1.164


Fundos DI (com taxa de administração média de 1,5% ao ano)

- Poupança - rendendo 70% da Selic mais TR (no caso da Selic a 8,5% ou menos) e TR +0,5% ao ano com Selic acima de 8,5%

- LFT - São três as taxas incidentes:
a) 0,10% sobre o valor de cada compra. Assim, se você ficar com o título por um ano, pagará 0,10% ao ano de taxa. Esta taxa será maior se você ficar menos tempo com o título e menor se você ficar mais tempo com o título.

b) 0,30% ao ano de taxa de custódia, cobrada pela BM&F Bovespa e

c) taxa de serviço cobrada pela corretora. Média de 0,3%.

Total: 0,70% ao ano

CDB - O professor considerou o CDB prefixado, já que em um cenário de queda de juros, esta seria a opção mais indicada.

Pesquisar o melhor investimento
As simulações acima mostram a importância de negociar a rentabilidade do CDB. O investidor que conseguir um percentual maior do CDI terá uma rentabilidade bem mais atrativa do que aquele que aceitar uma taxa menor, o que pode fazer uma grande diferença - principalmente no longo prazo.

Outro ponto importante que deve ser cada vez mais levado em consideração é a taxa de administração dos fundos de investimento. Segundo o economista Luiz Calado, autor do livro Fundos de Investimento: Conheça Antes de Investir, se fizesse uma aplicação de R$ 100 mil de até seis meses (prazo em que o IR cobrado é o maior, de 22,5%) em um fundo DI com taxa de administração de 0,5% ao ano, a rentabilidade líquida (já descontada a taxa e o Imposto de Renda) seria de R$ 486 no primeiro mês. Já se aplicasse em um fundo com taxa de administração de 1% ao ano,  o investidor receberia R$ 41 a menos (R$ 445) só no primeiro mês.

Ainda segundo Calado, no caso da Selic estar em 5,5% ao ano (também para uma aplicação de R$ 100 mil e prazo inferior a 6 meses), um fundo DI com taxa de administração de 1% pagaria R$ 263. Se conseguisse um fundo com taxa de 0,5% a.a. (é bom lembrar que existem fundos DI com taxa de 0,3% ao ano), o investidor teria um retorno, no primeiro mês, de R$ 304.

Prazos mais longos
Quando se trata de investimento de renda fixa, o prazo da aplicação tem um peso importante, por conta da alíquota progressiva de IR – quanto menor o prazo, maior o imposto de renda cobrado.

No caso de uma aplicação superior a 24 meses (em que o IR seria o menor possível, de 15% a.a), com Selic a 8,5% a.a, a rentabilidade dos fundos DI com 1% de taxa de administração passaria para R$ 496 no primeiro mês, enquanto a dos fundos com taxa de 0,5% subiria para R$ 538. Quem investisse em um CDB (a 90% do CDI) receberia um pouco menos: R$ 521, no primeiro mês.

Entenda os motivos da alteração
De acordo com especialistas, a mudança na remuneração da caderneta de poupança era necessária para que o governo conseguisse continuar reduzindo a taxa de juro no País. Isso porque, com a Selic em níveis muito baixos, a poupança ofereceria uma rentabilidade maior do que os títulos públicos e outros ativos de renda fixa.

Desde o final de agosto do ano passado, a Selic já foi cortada seis vezes, em um total de 3,5 pontos percentuais. Entretanto, economistas já enxergavam o nível de 9% ao ano como uma barreira para que a poupança começasse a ser mais atrativa do que outras aplicações de renda fixa, como os títulos do Tesouro Direto e fundos DI.

"[com a Selic muito baixa] Os títulos do Tesouro Direto e fundos de renda fixa vão se tornando menos rentáveis em relação à caderneta de poupança. Assim, existe um risco de que haja uma migração de grandes investidores para a poupança. Atualmente, a maioria é de pequenos e médios poupadores e teríamos uma invasão de grandes investidores, que atualmente estão em outros investimentos”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Para Fábio Fusco, do Calil & Calil, esta foi uma decisão necessária, principalmente por conta da crise na Europa, cujos reflexos podem afetar a economia brasileira. “A forma como o governo propõe solucionar o problema da discrepância entre o rendimento da poupança e dos títulos financeiros e federais foi muito engenhosa. Preserva as aplicações na poupança, realizadas até 3 de maio, e só será acionada caso a Selic venha atingir o patamar mínimo de 8,5% ao ano”, opina.

Segundo ele, o recurso já deveria ter sido aplicado há mais tempo. “Os reflexos políticos negativos impediram. A partir de agora, o Banco Central terá mais liberdade para definir a taxa básica de juros”, acredita.

Luiz Calado também gostou das mudanças. “As medidas do governo são benéficas à economia. Afinal, se de um lado o rendimento do investimento diminuirá, de outro haverá mais condições para efetuar novos cortes na taxa Selic, o que permitirá  obter financiamentos mais baratos”, aponta.

A partir de agora, outro ponto importante que deve ser levado em consideração  são os depósitos que já estavam na caderneta de poupança antes da mudança da rentabilidade. Com a tendência de queda de juros - ou seja, aplicações atreladas à Selic pagando cada vez menos -, especialistas ressaltam que pode ser mais vantajoso permanecer com os recursos na caderneta, ao invés de sacar e partir para outra aplicação. Portanto, fique antento às taxas cobradas pelos fundos e o percentual do CDB antes de tomar qualquer decisão.

Deixe seu comentário